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sábado, 22 de agosto de 2009

À sombra da bananeira


Fim de semana!
Na praia, no campo, de férias, em trabalho,
nestes dois dias de sol, até sabe bem ficar "à sombra da bananeira". Aquela que, caso raro até aos anos setenta, sobretudo após o regresso dos portugueses de África, passou a ser imagem de marca de muitos quintais e jardins.
Os sociólogos devem ter uma explicação para o fenómeno.
Para mim, não é de difícil solução!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

À grande e à............americana!


Segundo a Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, os partidos concorrentes às Legislativas estimam gastar, no seu todo, para cima de 12,5 milhões de euros.
Num país carenciado de tudo, com quase meio milhão de desempregados, com 25% dos agricultores , muitas micro, pequenas e médias empresas em risco de inexorável falência, a braços com duas crises severas (a global e a decana nacional), tanta gulodice eleitoralista só tem um nome: falta de vergonha!
À cabeça, com gastos previstos a rondarem os 5, 5 milhões de euros, sendo 3,13 suportados pelo Estado, surge o partido socialista, no poder, de quem, seria exigível mais frugalidade e exemplo.
Tanto mais que, numa visão que não será mesquinha, mas realista, porque a crer nos profissionais da mesma, "em Política o que parece é", por força de inaugurações, lançamentos de primeiras pedras, visitas quase diárias a escolas em obras (um positivo investimento, passe o facto de ter arrancado em fim de legislatura), a par duma retórica fluente do chefe do executivo socialista, tudo servido pela abundante cobertura mediática, o partido da rosa já há muito iniciou a sua campanha eleitoral e as acções de propaganda.
Os milhões que o PS, no governo da Nação, prevê gastar nos espectáculos de caça ao voto seriam, por hipótese, quantia suficiente para custear livros e equipamento escolar de mais de 50.000 estudantes do Ensino Básico; reforçar as verbas dos nove hospitais que vão receber menos 38 M€ do que estava previsto; para suportar, por muitos anos, os salários de médicos peritos que assegurassem serviço a tempo inteiro no Instituto de Medicina Legal; para a compra de mais de 360.000 pílulas de "tamiflu"...
Para um partido cujo líder é, simultâneamente, o Chefe do Governo, que promete, por via fiscal, "tirar aos ricos para dar aos pobres", qual Robin dos Bosques, com tanta ostentação de riqueza da sua força partidária, tão desmesurado fausto propagandístico e gastos eleitorais, onde é tudo em grande e à americana, como já se viu nas Europeias, ninguém deixará de entender que melhor lhe assentaria o título de Sheriff de Nottingham!

Vouguinha

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Um dos cartões de visita...


... da Vila de Vouzela, no coração de Lafões.

Fábricas de casos e notícias


Não é segredo que os assessores (zelotas, na versão Junqueiro) do governo participam, intervém e integram - nas horas vagas da sua propalada participação em blogues, como autores e comentaristas -, em actos e estruturas do partido do Rato.
Como não é surpresa que o próprio Sócrates vista numa hora o fato de Primeiro Ministro e na hora seguinte a camisa de secretário-geral da sua força partidária. Ou que num dia presida a um conselho de ministros e no seguinte encabece um comício ou congresso da rosa.
É legal e normal em democracia e, por mais que desagrade a uns tantos, não ouço ninguém contestar.
Como legal e normal será que assessores da Presidência da República, enquanto membros ou ideologicamente afectos a partidos políticos - mormente os que serviram de base de apoio à candidatura do Chefe de Estado - , lhes prestem, nesta última condição, apoio e conselho.
Assim sendo, só nos resta interrogar das motivações que levaram duas figuras de cúpula do partido socialista a denunciarem e insurgirem-se publicamente pelo hipotético facto de assessores da Presidência terem colaborado na feitura do programa de governo dos laranjas.
O que até seria louvável, mas que as estruturas deste partido vieram negar.
Só o entendo por impulsos e criação de factos políticos, tendo em vista a guerrilha partidária pré-eleitoral , em que vale tudo, mesmo o que não tem relevância alguma, para agitar as mansas águas de Verão, em que só se vai ouvindo o eco e clamor do disparar do desemprego.
Vir o "Público", aproveitando-se desta guerrilha fútil, trazer à ribalta uma suposta vigilância dos assessores de Belém por parte do governo, apoiando-se em fonte anónima, das duas uma: ou procurou o matutino deitar mais lenha nas acendalhas de Junqueiro e Vitalino, ou, numa hipótese em que não acredito, estamos perante uma situação muito grave que só seria banal se ocorresse na Venezuela ou no Irão.
Vou pela primeira, porque, afinal, nem só na floresta há incendiários.
Vouguinha

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Este Mário que não é Soares....


...é Crespo, mas de escrita lisa!

Está bem... façamos de conta

Mário Crespo in "Jornal de Notícias"

Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?).
Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.
Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês.
Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível.
Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu.
Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média.
Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação.
Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo.
Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva".
Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda).
Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport.
Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal.
Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus.
Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores.
Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República.
Façamos de conta que não há SIS.
Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso.
Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.

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Nota do Vouguinha:

"Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal."


Como se o Mário Crespo tenha por hábito abusar da confiança dos seus entrevistados!!!

Se não é arrogância, é o quê? Presunção e água rosa........

B.A.


A locomotiva E202...

















... lá repousa, solitária, em caminhos que outrora foram seus.
Em comunhão com a Ponte, por onde silvou, alegre e fumarenta.
Era o Vouguinha, de que Vouzela guarda memória e testemunho!
O outro, por ali perto, continua a espreguiçar-se no vale, a caminho da Ria distante, saudoso do companheiro de muitas décadas, que, tão cedo, o "progresso" lhe levou...

Um alerta com 2.000 anos!



Sem comentários. Está lá tudo. Até a condenação da arrogância. Falta só a da mentira!....

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sumário: Revisão da matéria de aulas anteriores

O problema era bem simples. Imaginemos como se resolvem equações mais complexas, como sejam o estado da economia, o endividamento, o custo dos investimentos faraónicos....
O esforço mental de tão excelsas figuras leva-nos a augurar-lhes um radioso futuro de professores de Matemática.
Valha-nos São Pitágoras, que até para mentir é preciso saber cálculo!


Incompetentes!
Disse-o Ana Drago. Te-lo-ia expressado qualquer porta voz das forças partidárias no Parlamento, de Esquerda ou de Direita, à excepção da Guarda Pretoriana que, na Assembleia e fora dela, sustenta o Governo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Vacine-se o alarmismo!



A ministra Ana Jorge tem-se revelado um dos membros do governo mais dialogantes, numa postura bem diferenciada dum colectivo com marca registada de exasperante arrogância.
Tendo abraçado a pasta da Saúde após as controversas medidas que o seu antecessor implantou no terreno, este pouco ou nada disponível ao diálogo, não lhe foi difícil, também por mérito próprio, cair nas boas graças públicas.
O que mais me leva a estranhar e questionar a forma como tem vindo, nos últimos dias, e através do audiovisual, de modo insistente, provavelmente, dando eco de informações pouco sustentadas dum qualquer responsável hospitalar, fazer-nos crer que poderão existir cidadãos a propagarem, deliberadamente, a Gripe A.
Não me parece sério e responsável, e a crer nas suas próprias palavras, que uma ocasional e fortuita ameaça duma mãe de que "se os seus filhos fossem infectado, infectaria os dos outros", seja encarada com tanta substância e suspeição.
Reconhecendo-lhe, e aplaudindo, o direito, que vem exercendo bem, de informar e transmitir todas as recomendações e alertas conducentes ás boas práticas para limitar o alastramento da doença, já não entendo o alcance desta acusação, por si só, geradora de mais alarmismos e que já terá feito vir a terreiro a Procuradoria Geral da República.
Ao Ministério da Saúde e aos Serviços de lhe estão adstritos cabem as medidas e os meios operacionais adequados para enfrentar a pandemia, ao invés de inculcarem nos seus pacientes o ónus da propagação do vírus, ainda que não despreze um ou outro caso, espúrio e pouco relevante, de negligência e irresponsabilidade por parte de utentes do SNS.
Seria - e custa-me conceber essa intenção -, um caminho pouco sério o uso desta antecipação para justificar, no futuro, perante os cidadãos, um inesperado e indesejável alastrar da doença.
Como pouco sério, em plano similar, será que altos responsáveis atribuam o flagelo dos incêndios, alguns com inusitada dimensão e consequências, única e exclusivamente às "mãos criminosas", que as há, quando todos sabemos que "mão criminosa" é, também, a falta de limpeza das florestas, mormente as de domínio público (a que acresce o insuficiente apoio aos privados). Factor que, no reconhecimento dos próprios, agrava as dificuldades com que os soldados da paz se confrontam no acesso e no combate em defesa das matas e imóveis.
De há muito, aprendi que é arma de cobardes, a defesa ou a desculpa, invocando os erros dos outros. E, neste caso da Gripe A, como noutros, a ser feito por antecipação, é uma vacina adulterada e injusta.
Gostaria que, enquanto rara e feliz excepção neste executivo, esta ministra continuasse em estado de graça. Até ao fim da Legislatura.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Sem "tacho" no Horizonte...

... ouço sempre este homem e aprecio as flechas certeiras nos alvos da nossa tão esburacada realidade política e económica.
Lamenta-se é que não o ouça e aprenda quem vive na obstinação cega pelos holofotes mediáticos da propaganda e pelos raios ultravioletas da mentira:


segunda-feira, 10 de agosto de 2009

E esta....hem?

Inédito: A bandeira da Monarquia esvoaçou durante 12 horas na varanda da Câmara Municipal de Lisboa!
Sabemos que o acto foi obra de Gente pacífica, senhora dos seus ideais, mas sem qualquer intenção de afronta. Seja como for, legal ou ilegal, algo ressalta da atitude: CORAGEM!
Se há 99 anos a bandeira da Monarquia foi derrubada com a força das armas, desta feita foi içada com a ousadia da noite!....

Até sempre, Raul!

"Muito contra sua vontade" e contra, estou certo, a da maioria de nós, deixou-nos o maior vulto do humor em Portugal. Dum humanismo a toda a prova, nunca esqueceremos dele a graça genuína que sabia transmitir-nos sem recorrer ao "ordinário" fácil e gratuito.
Nascido em Lisboa em 19/10/1929, cedo começou a proporcionar-nos momentos de boa disposição, mantendo-se, ao longo de muitas décadas como o mais alto estandarte do Humor em Portugal.
Fica a minha singela homenagem neste "clip" em disco de vinil que guardo há quase 47 anos, com os genuínos estalidos de fundo, como tão genuína foi a vivência e o humor de Raul Solnado.
Sem mais lugares comuns......até sempre, Raul!

domingo, 9 de agosto de 2009

Há guerra na capoeira...


... do PS na Sé do Porto!

Na passada semana, os dirigentes do partido no Poder, assessores e habituais apaniguados mediáticos, gastaram o tempo, e a pouca imaginação, zurzindo nas listas de candidatos dos partidos opositores. Numa matreira intromissão na vida dos partidos que lhes podem abalar o pedestral de São Bento, numa devassa que pretendia alcançar dividendos políticos com a guerrilha interna dos seus adversários, os homens da rosa não resistiram à baixa política que é "meter o bedelho" em casas e famílias que não são as suas.
Sem poder de previsão e de memória curta, não levam em conta as máximas do Povo de quem ambicionam conquistar o voto, esquecendo que "quem tem telhados de vidro, não atira pedras ao do vizinho".
E não sei se caíram pedradas, mas deve ter estalado bofetada e sopapo na pancadaria com que os candidatos socialistas à Freguesia da Sé, no Porto, à força do murro democrático, procuraram resolver a composição das listas. Sobraram os apetites à presidência e não faltaram queixas na Polícia por parte das facções em luta. Tudo em família. Na da rosa, a que espreita o que vai nas casas da vizinhança partidária!
Tudo isto, a crer nas noticias dos matutinos, provocado pelo facto do actual executivo daquela freguesia da capital do Norte, também ele socialista, ser acusado de desvio de dinheiros. Coisa simples e normal num regime que muitos já dizem ser uma Democracia do Gamanço.
Com exemplos destes dos que passam o tempo a criticar a vida alheia, bem a oposição pode repousar e responder: por aquilo que vejo, não estou descontente!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O Mar e a Gente



Ílhavo tem vincadas rugas naquele Mar revolto que os pescadores desbravaram. Foram muitos os naturais daquela região que se empenharam na aventura secular da pesca do bacalhau.
Achei de muito simbolismo o barco de granito implantado num dos jardins junto à Câmara da Cidade. Valeu uma foto. Nos últimos dias de Julho.
Não é a jangada de pedra, é a memória dum povo em comunhão com o Mar!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Pastéis de Vouzela versus Pastéis de Tentúgal


Apeteceu-me meter as mãos na massa. Não exercendo cargo em empresa pública ou de cariz político, não o poderei fazer naquela massa que faz correr muita dessa "gente" e girar o Mundo em que vivemos. Meto-as na massa daqueles afamados pastéis, doces convites aos glutões ou a todos os que gozam em deliciar as papilas gustativas com estes manjares dos deuses... e dos frades. É comum ouvir-se, de quem conhece ambos, que os afamados pastéis de Vouzela e os não menos famosos pastéis de Tentúgal são uma e a mesma coisa. Não são. Passe o aspecto similar, algo os distingue, quer no folhado quer no recheio. Quando, em 1834, o maçónico Joaquim António de Aguiar, mais conhecido pelo "Mata-Frades", instigou à expulsão das ordens religiosas de Portugal, por decreto, e ao consequente encerramento dos conventos, as freiras que lhes davam vida viram-se na contingência de procurarem a sobrevivência nas terras de origem, junto dos seus familiares. Foi assim que monjas clarissas, mais vocacionadas para as doçarias conventuais, recolheram para junto dos entes mais próximos, em Tentúgal e Vouzela. Com elas levaram os segredos das delícias que confeccionavam intramuros e que se viram obrigadas a deitar mão, como modo de vida, passando esses segredos a um restrito número de familiares. E é aqui que entronca a diferença entre os conhecidos pastéis: partindo duma receita, muito provavelmente, comum, divergiram nos pormenores pelo facto das monjas que rumaram a Tentúgal serem provenientes do Convento de Santa Clara de Coimbra (e do Carmelo de Tentúgal), enquanto que as que se fixaram por Vouzela serem oriundas do Convento de Santa Clara, mas do Porto. Por mim, sem me preocupar com saber se o segredo está na massa ou no recheio, no Convento de Coimbra ou do Porto, tanto os de Tentúgal como os de Vouzela me despertam igual gula e satisfação, passe o facto de, sem caseirismos, preferir os confeccionados em Lafões, a quem confiro folhado mais fino e estaladiço.

Hoje pago eu. Sirvam-se!


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

LAFÕES é um jardim!

Como reza o refrão do hino, Lafões é um jardim e não há no Mundo um lugar assim!


sábado, 1 de agosto de 2009

Espantalho ou ministro?


Na passada semana, ao passar por um campo agrícola na região do Vouga, deparei-me, implantado junto a uns feijoeiros, com o boneco da foto.
Vieram-me à memória os tempos idos em que os meus avós espantavam a passarada com algo idêntico e questionei o agricultor que procedia à rega da sua horta:
- Aquilo é um "espantalho", não é?
- Não, senhor, aquilo é o "ministro", respondeu-me o ancião, espetando o indicador na direcção do boneco.
- Mas não serve para espantar os pássaros? - insisti.
- Não! Serve para espantar os agricultores e a agricultura!

Eu quero-as ambas!



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Não resisto a este pitoresco preâmbulo, antes de abordar um tema bem mais sério e actual.
Contam-me, desde menino e moço, que nos anos cinquenta, numa aldeia do concelho vouzelense, um solteirão marceneiro, no fulgor hormonal dos seus vinte e poucos anos, ia arrastando a asa às moças casadoiras da terra.
Um dia, com laivos de escândalo social, numa sociedade comunitária e arreigada aos extremados costumes puritanos, a notícia espalhou-se como fogo de Verão: o Artur “fizera mal” a duas virgens do lugar.
O pároco da freguesia, como bom pastor e com a autoridade temporal que, ao tempo, era reconhecida aos representantes da Igreja, escolheu o fim da missa dominical para resolver o sacrilégio dum dos membros do seu rebanho. Chamou o Artur e as duas raparigas à sacristia e intimou o aturdido marceneiro:
- Artur, desonraste estas duas paroquianas. Para que Deus te alivie o castigo, terás que casar com uma delas. Escolhe!
O nosso Casanova, confuso, depois de um esgar embaraçado, ergueu os braços ao Céu e exclamou:
- Senhor Padre, EU QUERO-AS AMBAS!...
Quase meia dúzia de décadas após este bizarro episódio, parece ser mais vulgar e actual a dificuldade de opção, com mais acuidade quando estão em confronto cargos públicos de relevo.
Elisa Ferreira e Ana Gomes são os rostos mais evidentes e mediáticos desse apetite insaciável pelo que, numa imagem culinária, o nosso povo conhece por “tacho”, numa lógica de que, furando-se o maior, há sempre um mais pequeno para o petisco da ambição pessoal.
O Partido Socialista, registo-o com agrado, ainda que extemporaneamente, decidiu, perante a pressão eleitoralista e na linha do que o seu mais forte opositor já havia anunciado, que os seus candidatos às Legislativas não poderão ser, cumulativamente, pretendentes aos órgãos autárquicos.
Numa sociedade política de compadrio, arranjinhos e promiscuidade, as reacções adversas não se fizeram esperar, criando agitação e fracturas no seio do partido da rosa.
Só por si, razão bastante para que, neste País de jogo viciado, a política e os políticos possam recuperar alguma de toda a credibilidade perdida, mas, mais do que isso, as forças partidárias, devem ter a coragem de privilegiar o mérito e a honestidade, expurgando do seu seio não só os arrivistas do “tacho”, mas também, e sobretudo, as sinistras figuras da corrupção, dos negócio sujos e opacos.
Só assim almejaremos que o nosso regime político perca o estigma de “Democracia do Gamanço” e passemos a conviver com uma POLÍTICA de Transparência, Honra e Verdade e uma JUSTIÇA imparcial, célere e implacável.
Por estas duas últimas, também eu e, creio, toda a Sociedade Civil, responderemos:
- EU QUERO-AS AMBAS!

sábado, 11 de julho de 2009

A falácia das Comissões de Inquérito

Nada que já não houvesse previsto. As comissões de inquérito, num Parlamento partidarizado até ao tutano, valem pelo que valem: nada.
Apure-se o que se apurar, o resultado será sempre o que a maioria entenda verter no Relatório conclusivo. Sobretudo, quando nele impera a força duma maioria absoluta.
Para me não repetir, repesco do meu Vouguinha original, o que sempre pensei da validade destas comissões, deixando a nota de que mais do que as ditas o que esta democracia exige, com urgência, é de gente séria e não de políticos corruptos ou que os protejam e branqueiem as suas vilanias.
Clama-se por transparência e honestidade, sob pena de chegarmos a um estado peculiar que possamos denominar de Democracia do Gamanço.


Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

Ainda as Comissões de Inquérito

Não volto ao assunto para me vangloriar de ter razão antes do tempo. Muito menos para branquear a imagem e o mutismo do "arguido" Oliveira e Costa. Que, como por aqui defendi, nem tão pouco devia ser chamado ao Parlamento. Nem ele, nem o Procurador da República, nem outros envolvidos ou testemunhas do caso BPN, nas mãos da Justiça.
Venho, sim, reforçar a ideia da falácia e até da inconveniência das denominadas "comissões de inquérito" promovidas pela Assembleia da República. Sobretudo, quando colidem, ou concorrem, com as investigações que decorrem no âmbito dos Tribunais.
Se a nossa Democracia tem que ser enobrecida, mais do que ninguém, pelos políticos que nela são protagonistas, muito ela terá a ganhar se forem respeitados os campos de actuação das instituições do Estado. E o que vemos é a politização, e, em alguns casos, a partidarização da vida nacional, do funcionamento dos seus órgãos o que, desacreditando a democracia, oferece solo fértil para que germinem atropelos e desmandos de toda o ordem.
Volto a repetir o velho provérbio: Cada macaco no seu galho!
E a puxar acima o que, sobre o assunto, por aqui escrevi em 22 de Novembro de 2007, sublinhando as partes mais pertinentes para o caso:


Sábado, 22 de Novembro de 2008

Comissões de Inquérito

Dias Loureiro, na sua qualidade de Conselheiro de Estado, solicitou ser recebido na AR para se submeter a uma audição a propósito do caso BPN.

Enquanto alguns partidos com assento parlamentar tentaram viabilizar esse seu desiderato, a maioria socialista inviabilizou-o, alegando que a sua presença naquele órgão institucional seria considerada uma ingerência nos assuntos da Justiça.

O que, registo-o, até foi uma posição assertiva, considerando a justificação utilizada.

Espanta-me - ou nem tanto -, é a mesma bancada socialista no Hemiciclo a exigir a comparência do Procurador-Geral da República, precisamente para dar explicações sobre o mesmo caso escaldante, sabendo todos que, assim que o homem abrir a boca para falar do BPN, estará, ainda que sem intenção, a revelar pormenores da investigação. De contrário, só entrando mudo e sair calado!

E surgem as interrogações acerca dos motivos que levam o partido no poder a usar de dois pesos e duas medidas, mais depressa do que um macaco demora a coçar o rabo!

Incoerência? Uma agenda muito própria da bancada PS?

Só eles poderão responder.

A nós, o direito de desconfiar, mais uma vez, da bondade das decisões destes senhores absolutos do Parlamento.

Ainda relacionado com o caso BPN, admitindo, até, que o hajam feito com louváveis propósitos, veio o CDS propor a instauração dum inquérito parlamentar a este escândalo financeiro.

E o meu espanto, desta feita, não é tanto por qualquer incoerência. Apoia-se na convicção, que se foi sedimentando ao longo de muitos anos, de que os resultados palpáveis das comissões de inquérito, e foram muitas, empreendidas pela AR, na sua esmagadora maioria, mais não foram que pinhões chochos. Inócuas, logo inúteis.

Não esquecemos, ainda, "o Caso Sá Carneiro". Comissões sobre Comissões, centenas de audições, e tudo se foi arrastando, penosamente, ao longo dos anos sem que os eleitos tenham apresentado junto do povo que representam algum resultado concreto.

Já lá vai mais de um quarto de século desde o funesto acidente/crime e, a par da mortalha que cobriu aquele estadista e seus companheiros de infortúnio, um nebuloso manto de dúvidas e legítimas desconfianças continua a camuflar toda a verdade dos factos.

Sendo assim, a instituição Assembleia, mais não deve que deixar a instituição Justiça desenvolver, sem empecilhos inúteis ou ingerências embaraçosas, o seu trabalho de investigação e , sempre que for caso disso, de punição dos criminosos comprovados.

Compete à primeira, isso sim, prestigiar a Magistratura e, sobretudo, aprovar leis exequíveis, para que esta possa servir-se das ferramentas adequadas e não de diplomas absurdos e contraditórios que façam da legislação portuguesa uma autêntica floresta de enganos.

No caso BPN e em todos os que vierem a ser despoletados, muito especialmente nos de colarinho branco, que sejam os órgãos competentes, sem dúbias intromissões, a investigar a verdade dos factos, se por mais não for, para que não surjam as tão badaladas teorias da conspiração.

Ou melhor, e como bem diz o Povo: Cada macaco no seu galho!

B.A.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Ah, tu queres tourada?....


... Espera que o teu pai já vem da mina!

Esta "malícia" foi-me contada por um aljustrelense, em jeito de anedota, já lá vão uns anos, e pretendia retratar uma reprimenda de uma mãe a um dos filhos que acabava de fazer uma "maroteira".

O "nosso" Pinho, aquele mesmo que em 2006 havia "decretado" o fim da crise, da outra, a nossa bichinha de estimação; que numa visita oficial à China quis convencer os empresários de olhos em bico que o investimento em Portugal era apelativo em razão da mão-de-obra barata; que, em Bruxelas, ao mesmo tempo que 500 trabalhadores choravam o despedimento, garantia que a Delphi tinha criado 250 postos de trabalho; que, numa visita a Milão, perante a estupefacção dos industriais de calçado portugueses que o acompanhavam, se confessou um apaixonado pelos sapatos italianos e que, provocando Paulo Rangel, fez publicidade gratuita à Farinha Maizena, "encornichou" em pleno Parlamento.....e já lá vai.
Tarde, diga-se!
Outros, como o Ministro da Agricultura, o Malhador Santos Silva, o Ministro do Jamais, o Ministro da Justiça, a da Educação(?) não "encornicharam" e enchem o peito de oxigénio que lhes permita flutuarem até às Legislativas. Contra ventos e marés.....por mais furos que já tenham nos pneumáticos!...
Depois.......espero que acompanhem o Chefe na travessia do deserto que nos legaram.

E porque foi em resposta a uma observação sobre as Minas de Aljustrel que o ex da Economia pôs a pata na poça, ou melhor, os "cornichos" na cabeça, vou repescar o que escrevi no meu outro Vouguinha (o tal de que me fecharam as comportas), a propósito daquela simpática Vila alentejana:

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Os mineiros de Aljustrel....

....ou de como se fazem promessas que, à partida, não há certeza de serem cumpridas.
Para desolação e vil tristeza de quem sempre ganhou o pão, esburacando nos túneis das minas .....e nos socalcos da vida.
A pensar naquela vila e nas suas Gentes, com quem tive o prazer de privar durante um ano, fica um postal ilustrado daquela terra alentejana:





Lembrei-me, agora, que já em Maio no outro meu Vouguinha, havia escrito algo a propósito da "faena" que Sócrates fez com Zapatero na campanha para as europeias.
Teria sido nessa lides tauromáticas que Pinho se inspirou?

El microondas



Não gostei!
E não foi qualquer febrão nacionalista que me provocou, mais do que a vergonha, nojo do que vi e ouvi. E que fede!.
Até compreendendo que o homem anda em campanha, desde há muito.
Ainda não passou muito tempo que Sócrates, a propósito de estar presente num congresso ou magno encontro do seu partido, não compareceu a uma reunião europeia em que marcaram presença os lideres da União e em que se debatiam estratégias importantes para o combate conjunto à Crise.
O partido foi, então, um valor mais alto que os interesses do País.
Agora, numa fase conturbada, em que se espera empenhamento e disponibilidade absoluta para tratar dos assuntos inadiáveis com que nos debatemos, quando se pede a todos os portugueses que arregacem as mangas, enquanto vão apertando o cinto, eis que o Primeiro Ministro de Portugal, num mano a mano, muleta a ti, muleta a mim, resolve andar por Espanha, discursando em Portunhol, numa faena do Zapatero. Lide que só acaba em Coimbra, numa arena reduzida, suando as estopinhas, com o capote do hermano.
Gotejando suor pelos poros em transe, mais parecendo um frango acabado de sair do micro-ondas, provavelmente, o mesmo micro-ondas onde poderá ter queimado, em definitivo, as ambições políticas que, mais do que os interesses do País, o parecem mover e ser o seu empenhamento primeiro, desde sempre.
Quando os interesses partidários estão acima das preocupações do todo nacional e, sobretudo, quando se procura em Espanha o apoio que vai faltando no país que governa, por mim dir-lhe-ia que Portugal é aqui, ainda se não exilou!
Muito menos, em Espanha!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Sol sonhador!


Repesquei do meu outro Vouguinha (aquele em que me fecharam as comportas):

É só um, o Sol sonhador?

Para lá da sua força e fonte de vida, habituei-me, desde cedo, a descobrir naqueles raios brilhantes algo de mítico e tela se sonhos insondáveis.
Porém, são dois os momentos mais marcantes, o encantamento quase só explicável pela metafísica, na minha já velha memória de vida.
Quando, ainda hoje, assisto à alvorada festiva do Nascer do Sol, afasto as teias do tempo e subo ao Monte da Senhora do Castelo, alto e sobranceiro, com Vouzela aos pés e abraçando Lafões.
Recordo, então, tenros anos, quando, em grupos de jovens madrugadores, num determinado dia do ano, subia ao Monte, desde a vila, sorvendo, até ao alto, o cheiro fresco das acácias floridas e o discreto aroma do rosmaninho.
Lá ficávamos todos, por alguns minutos, sob a protecção da capelinha, aguardando que os primeiros fios de luz rasgassem os píncaros das montanhas distantes.
E ei-lo que chega, apressado e jovial, rompendo a orvalhada primaveril com um sorriso cúmplice, a despontar no horizonte, com uma sinfonia de cores, festejado pelos chilreios da passarada em alvoroço.
Era o clímax dos nossos sentidos jovens. Sentíamos o palpitar da vida no despontar daquele dia de tradição antiga.
Descíamos, depois, o monte em direcção à vila, já com o sol a elevar-se numa festa de luz.

Os anos passaram, tudo é feito de mudanças. Outras rotas, mas sempre o sol a intrometer-se, em surdina, mas com a mesma autoridade mítica, na minha existência já quase adulta.

Demasiado madrugador, aquele sol quente do Índico, raras vezes permitia assistir ao luminoso parto. Quando iniciava o dia, já aquela bola de fogo, irrequieta, tremelicava lá bem alto.
O encantamento da adolescência havia-se transferido com armas de sonhos, do Nascer para o Pôr-de-Sol, para o ocaso dos dias.
Ficava ali, estático, sentado no tronco do velho cajueiro, e deleitava-me com o recolher alaranjado do astro-rei. Via-o descer por entre os mangais, numas escadas de fios de ouro, por entre os ramos da mata frondosa.
E, quando se espalmava, em chamas dum vermelho vivo, no horizonte vasto, eram outros os aromas, os cheiros da terra, os silvos das aves, que não os do Nascer do Sol de outras épocas e de outras paragens.
Aqueles raios em chamas pairando nas nuvens altas e reflectindo-se numa manta alaranjada na pele fina e azul do oceano, transportavam-me a uma galeria de arte, numa mostra de quadros dos mais famosos pintores da Natureza Viva!
Mas, se aquele Nascer do Sol visto da Senhora do Castelo me apontava para futuro de vida, já aquele pôr-de-sol moçambicano, ainda que belo e exótico, me poderia, sem que o soubesse, transmitir a mensagem de que algo naquele Presente estava a caminho do fim.
E, no entanto, ambos os fenómenos, a tantas léguas de distância, me deixaram marcas de encantamento e me convenceram, definitivamente, que a Natureza como a Vida podem ser belas, quando as encararmos com todos os sentidos com que as divindades celestes nos dotaram. O sonho, incluído.
Mais: que o sol, correndo o mundo de lés-a-lés, é ele próprio, por direito, um eterno sonhador!

As mentes brilhantes

Já, em 2008, o Ministro Pinho havia "decretado" o fim da outra crise, a eterna. Veio, agora, o Ministro TS "decretar" o fim da internacional, a passageira.
Recordo-me, para adocicar a "coisa", que, salvo erro, nos anos cinquenta, Salazar decretou o fim das "casas de meninas" e, tal como os caracóis, cada vez há mais!
O que me parece, e este meu vaticínio será mais assertivo, é que a CRISE e o seu associado TGV não acabaram, ficam, tão só, adiados até às eleições!...
A crise, o TGV, o Aeroporto, a 3ª ponte, os casamentos gay, a compra da TVI, a avaliação da polémica dos professores....e outras medidas em banho maria, voltarão logo após as Legislativas, se tivermos o triste fado de sentar, mais uma vez, estas mentes brilhantes em São Bento!