Iniciar
Para iniciar esta Página, faça um clic na foto.
Navegue....e mergulhe, está num rio de águas límpidas!
Navegue....e mergulhe, está num rio de águas límpidas!
domingo, 28 de março de 2010
sábado, 27 de março de 2010
Banqueiros apoiam o PEC

Os Administradores dos principais Bancos portugueses, vieram, ontem, às televisões vincar o seu apoio às medidas previstas no PEC. Não é difícil saber das razões da concordância dos banqueiros! Como eu os entendo.....e como fico bem mais agradado quando eles não concordam com medidas governamentais!...
sexta-feira, 26 de março de 2010
Momento de poesia....
... e de cultura :)))
A PILITA ALENTEJANA
Rija, enquanto durou.
Agora q'amolengou
e antes q'a morda a cobra,
Vou atá-la c'uma corda
Pra ela nã me fugiri.
Preciso da sacudiri,
Leva tempo pá'cordari
Já nem se sabe esticari.
Más lenta q'um caracoli,
Enrola-se-me no lençoli.
Ninguém a tira dali,
Já só dá em preguiçari.
Nada a faz alevantari
E já nã dá com o monti,
Nem água bebe na fonti.
Que bich'é que lhe mordeu?
Parece defunta, morreu.
Deu-lhe p'ra enjoari,
Nem lh'apetece cheirari.
Jovem, metia inveja.
Com más gás q'uma cerveja,
Sempre pronta p'ra brincari.
Cu diga a minha Maria,
Era de nôte e de dia.
Até as mulheres da vila,
Marcavam lugar na fila,
P'ra eu lha poder mostrari !
Uma moura a trabalhari,
Motivo do mê orgulho.
Fazia cá um barulho !
Entrava pelos quintais,
Inté espantava os animais.
Eram duas, três e quatro,
Da cozinha até ao quarto
E até debaixo da cama.
Esta bicha tinha fama.
Punha tudo em alvoroço,
Desde o mê tempo de moço.
A idade nã perdoa,
Acabô-se a vida boa !
Depois de tanto caçari,
Já merece descansari.
Contava já mê avô:
"Niuma rata lhe escapou !"
É o sangui das gerações. Mas nada de confusões,
Pois esta estória aqui escrita, é da minha gata, a Pilita !
A PILITA ALENTEJANA
Rija, enquanto durou.
Agora q'amolengou
e antes q'a morda a cobra,
Vou atá-la c'uma corda
Pra ela nã me fugiri.
Preciso da sacudiri,
Leva tempo pá'cordari
Já nem se sabe esticari.
Más lenta q'um caracoli,
Enrola-se-me no lençoli.
Ninguém a tira dali,
Já só dá em preguiçari.
Nada a faz alevantari
E já nã dá com o monti,
Nem água bebe na fonti.
Que bich'é que lhe mordeu?
Parece defunta, morreu.
Deu-lhe p'ra enjoari,
Nem lh'apetece cheirari.
Jovem, metia inveja.
Com más gás q'uma cerveja,
Sempre pronta p'ra brincari.
Cu diga a minha Maria,
Era de nôte e de dia.
Até as mulheres da vila,
Marcavam lugar na fila,
P'ra eu lha poder mostrari !
Uma moura a trabalhari,
Motivo do mê orgulho.
Fazia cá um barulho !
Entrava pelos quintais,
Inté espantava os animais.
Eram duas, três e quatro,
Da cozinha até ao quarto
E até debaixo da cama.
Esta bicha tinha fama.
Punha tudo em alvoroço,
Desde o mê tempo de moço.
A idade nã perdoa,
Acabô-se a vida boa !
Depois de tanto caçari,
Já merece descansari.
Contava já mê avô:
"Niuma rata lhe escapou !"
É o sangui das gerações. Mas nada de confusões,
Pois esta estória aqui escrita, é da minha gata, a Pilita !
quinta-feira, 25 de março de 2010
quarta-feira, 24 de março de 2010
Da Rússia para Lafões.....

... veio, há nove anos, na companhia dos pais, Ekaterina Malginova, uma jovem com 18 anos, estudante da Escola Secundária de S. Pedro do Sul.
Na língua de Camões e Pessoa, acaba de editar um livro de poesias de sua autoria, e é considerada pelo corpo docente daquela escola uma aluna acima da média e com integração plena e exemplar no ambiente daquela Cidade das Terras de Viriato.
A este caso de sucesso humano e escolar não estarão alheios os professores daquele estabelecimento de ensino que, por mais que uma vez, se destacaram no "ranking" das escolas.
Mais uma noticia que envaidece os vouguinhas e é mais uma luz neste túnel de que a Educação, no todo nacional, tarda em sair.
Parabéns à jovem aluna e aos seus mestres!
terça-feira, 23 de março de 2010
PECman, o perigoso glutão...

... gerado e nascido no seio da família socialista que, quase sem interrupção, nos governa há 15 anos, este bicharoco devora tudo! É um glutão rosa, sem tino nem piedade, cujo apetite voraz apenas poupa os seus boys e os que serão os seus futuros patrões, logo que deixem o poder no País e...... fugirem do pântano......
segunda-feira, 22 de março de 2010
Fui procurar a Primavera...
sábado, 20 de março de 2010
Presidente ou Mestre-Escola?
Era mesmo ele, o Presidente da Assembleia da República!
E o jovem e atarantado Secretário de Estado da Educação não era um rapaz aluno do Ensino Secundário.
Que ninguém exagere e entenda que, ontem, houve por ali violência escolar!
E o jovem e atarantado Secretário de Estado da Educação não era um rapaz aluno do Ensino Secundário.
Que ninguém exagere e entenda que, ontem, houve por ali violência escolar!
Os politicos andam nervosos!
Má consciência? A azia que lhes vai provocar o PEC?
Só eles poderão responder!
Só eles poderão responder!
Pataca a mim, pataca a ti......
sexta-feira, 19 de março de 2010
A fé clubística...
... nem sempre se coaduna com facetas sérias das nossas vidas.
Rui Pedro Soares, o administrador da PT, ao ser ouvido na Comissão de Ética do Parlamento, a propósito do seu hipotético envolvimento na compra da Media Capital (dona da TVI), entendeu transmitir aos deputados o quanto é devoto dos dragões. E dissertou sobre o tema até à exaustão, desde as ligações dos seus ancestrais ao ainda campeão nacional, até ao seu brilhante dragão de ouro.
Portistas, benfiquistas, sportinguistas e adeptos de todas as agremiações desportivas, são, por princípio gente de bem. Nas suas hostes militam exemplos de honestidade, como militará gente pouco recomendável.
Se o que RPS pretendeu provar foi a sua verticalidade, por força dos laços de paixão sublime que tem pelo FCP, melhor teria sido que explicasse até que extremos pode levar uma outra paixão, a partidária...
Ouçamos:
Rui Pedro Soares, o administrador da PT, ao ser ouvido na Comissão de Ética do Parlamento, a propósito do seu hipotético envolvimento na compra da Media Capital (dona da TVI), entendeu transmitir aos deputados o quanto é devoto dos dragões. E dissertou sobre o tema até à exaustão, desde as ligações dos seus ancestrais ao ainda campeão nacional, até ao seu brilhante dragão de ouro.
Portistas, benfiquistas, sportinguistas e adeptos de todas as agremiações desportivas, são, por princípio gente de bem. Nas suas hostes militam exemplos de honestidade, como militará gente pouco recomendável.
Se o que RPS pretendeu provar foi a sua verticalidade, por força dos laços de paixão sublime que tem pelo FCP, melhor teria sido que explicasse até que extremos pode levar uma outra paixão, a partidária...
Ouçamos:
quinta-feira, 18 de março de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
Para quem duvidou...

... e foram alguns dos meus amigos, que algumas medidas previstas no PEC são mesmo subidas de impostos, conforme por aqui defendi no post "Quem paga a incompetência?", leia o CM de hoje.
Não que faça fé de tudo o que leio nos jornais, mas, neste ensejo, vem lá tudo bem "esmiuçado" e sustentado por dados de fontes oficiais.
Entre outros, e por exemplo, serão os contribuintes com salários mensais entre os 517 e os 1284 €,
a maior fatia afectada com a redução nas deduções com Saúde e Educação.
Como se diz na gíria, contra factos não há argumentos!
domingo, 14 de março de 2010
Aldeia de PIÓDÃO
Para lá das margens do Vouguinha, no Distrito de Coimbra e Concelho de Arganil, numa das encostas da Serra do Açor, encontramos Piódão, uma das mais típicas aldeias portuguesas. As paredes das suas casas em xisto e as coberturas com lajes de ardósia, conferem-lhe uma particularidade rara. E, como não há bela sem senão, só lamento que aqui e além pontuem moradias mais modernas que, com as suas coberturas de telha tradicional, surjam como corpos estranhos naquela aldeia classificada como imóvel de interesse público. A visitar!
quinta-feira, 11 de março de 2010
Momento de poesia
Quem paga a incompetência?
A COUTADA DOS FAISÕESTrave mestra da propaganda eleitoral dos socialistas nas Legislativas de Setembro, o compromisso, alardeado até à exaustão "comicieira", de não haver subida de impostos, desabou com o caruncho de tantas satânicas juras e vãs promessas, já gasto engodo de pesca-votos!
Ele aí está, o aumento de impostos, encapotado em falsas medidas populistas de justiça contributiva.
Sob o manto diáfano duma sonsa nebulosa, em que nos querem fazer crer que é dos que mais ganham o esforço para o combate à Crise. Como se corporizassem o velho refrão do PREC "os ricos que paguem a crise!"...
Crise que, sendo culpa e desculpa para tudo, não é, desta vez, o bode expiatório do agravamento fiscal. O Governo inculca, agora, num corpo estranho que emergiu, inesperadamente, do mar revolto da sua ignorância. E que só veio à superfície, com dimensões assustadoras, quando os actuais responsáveis pelas finanças deste País se viram na contingência de abrirem o jogo para a discussão do Orçamento para 2010.
Esse monstro que, até ao início deste ano, eles próprios diziam desconhecer, refugiando-se no erro de previsão, e que dá pelo nome de DÉFICIT.
O que não deixa de ser anedótico é o Governo, tomando-nos por um bando de imbecis, nos acenar com a cínica bandeira, desfraldada com grandes pompas televisivas, que está no esforço dos 30.000 contribuintes ricos que auferem mais de € 150.000 anuais, e terão num aumento médio dos seus impostos de € 700 por "cabeça", a solução do problema!
De tão ridícula esta acepção, publicitada como cartaz principal do recente menu fiscal , chega a ser insultuoso fazer crer os portugueses que as classes menos privilegiadas não serão as mais atingidas por este PEC, esse assustador pacote de medidas gerado e parido pelos anos de incompetência e autismo político de quem gere os dinheiros públicos.
Não somos todos estultos, ao ponto de não entendermos que o corte nas deduções é, em si mesmo, também, um aumento de impostos, para os que menos recebem, pensionistas incluídos!
Se querem dar um sinal de sério empenhamento, de exemplos credíveis, que reflictam, de forma séria e corajosa, a propósito dos muitos milhões que gastam, em ritmo diário, com o formigueiro de assessores e agentes de comunicação que cirandam pelos corredores ministeriais; com os gestores públicos colhidos no seu alfobre partidário; com os institutos de duvidosa utilidade; com os subsídios a fundações sem préstimo visível, de que é exemplo a que tem por nome o seu primeiro Presidente...e tantos outros estapafúrdios desperdícios!
Que, entretanto, aproveitem os intervalos da Propaganda, da Informação e Contra-Informação, para se retratarem da fanfarronice dos anúncios dos mais altos responsáveis deste Governo, do tipo "a crise acabou!"; "saímos da recessão, fomos os últimos a entrar na Crise e os primeiros a sair dela!"; "estamos a crescer, a caminho da retoma!", enquanto raiavam o insulto ao acusarem de "negativistas" avisadas figuras do espectro económico que contrariavam esta visão idílica da Alice, a tal do País das Maravilhas!
Todos teremos, mais uma,entre tantas vezes nos consulados da rosa, que contribuir para ultrapassar este momento financeiro difícil que o País vive, - e de que quem governa terá a culpa maior -, do que não nos podemos alhear, mas exige-se , de uma vez por todas, um esforço de recuperação de vergonha e se passe a falar verdade aos portugueses.
E que quem gere os destinos deste País tome recato e tino, deixando de encarar os contribuintes como um rebanho de ovelhas que, para além de esfaimadas, querem fazer estúpidas e ingénuas! Mesmo que nele incluam os tais "boys" Presidentes das Freguesias, eleitos pelas populações locais, e que o Ministro das Finanças ousou, com frase que roça o insulto e é ordinária e parola calinada, confundir com os faisões da sua coutada de caça socialista, onde aquele governante porfia, e vem demonstrando especial apetência, por sacrificar a caça menor!
quinta-feira, 4 de março de 2010
Rugas de séculos
Contam-me os mais idosos que ainda usavam calções quando os avós lhes diziam que esta oliveira tinha séculos de vida. E lá continua, com algumas rugas vincadas, mas de pé, como gostará de morrer um dia. E, enquanto não chega o destino fatal, em chamas numa qualquer lareira, vai observando o Tejo que, por estes dias, se espraia, em volúpia de espuma, no regaço verde da Lezíria.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Paixões perigosas

Os benfiquistas perdoam e aplaudem a rispidez de algumas entradas de David Luís. Os sportinguistas perdoam e aplaudem as agressivas intervenções de João Pereira. Os dragões perdoam e aplaudem as agressões de Hulk...
Para benfiquistas, sportinguistas e dragões, o seu clube de coração é, inquestionavelmente, sempre o maior, sejam quais forem os resultados desportivos ou o comportamento dos seus jogadores.
Nada os retrai, desmotiva ou desanima. O que conta é a paixão, o amor incondicional ao emblema. Como se fosse uma religião, uma jihad de fé clubística.
Foi sempre assim e nada nos leva a pensar que, no mundo do futebol, alguma vez a razão se sobreponha à paixão.
Do que, convenhamos, pouco mal virá para o outro mundo, o real, aquele em que pulsa a vida de toda uma Sociedade.
Já é de maior preocupação esta moda alienante que vem emergindo de forma assustadora, por força da retórica gratuita e da demagogia sem vergonha, que faz dos cidadãos indefectíveis "adeptos" de partidos políticos em nome duma fé em que tudo se perdoa aos seus "jogadores", mesmo os actos e as medidas que os lesem enquanto destinatários duma apregoada democracia adulta!
Os dois fenómenos têm diferenças abissais, nos seus valores e nos campos onde se desenvolvem, mas é já notório que a paixão cega, a defesa a qualquer preço dos grupos partidários a que cada um aderiu, relaxa ou destrói o espírito crítico, em benefício duma parte política, mas em prejuízo da democracia e de toda a Nação.
Nesta, é perigoso apoiar e aplaudir tudo, em nome duma fé cega. Não estamos num jogo de amor à camisola!
Quando a paixão partidária desce ao patamar da clubística, é da liberdade de cada um de nós que estamos a abdicar e, pior, é comprometermos, de forma leviana e irreflectida, um rumo para o País, que prime pela Verdade, pela Justiça e pelo Progresso que almejamos para todos nós.
As amarras emotivas e incondicionais a partidos não podem, em nome da paixão, perdoar "rispidez", "agressões", mentiras e outros desmandos sem carácter de qualquer político, seja qual for a sua camisola partidária, para que se possa manter o respeito pelo Estado e por cada um de nós.
Para que nos sintamos homens livres e não autómatos de pensamento encarcerado!...
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
DAMÃO

"As ondas navegavam do Oriente
Já nos mares da Índia, e enxergavam
Os tálamos do Sol, que nasce ardente;
Já quase seus desejos se acabavam. .
..............................................................."
A partir das imagens de Damão, Índia, de 2009, do JT, que podem ser vistas em:
http://viajandoevendo.blogspot.com/
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Quando um ilustre republicano....

... sugeriu um Hino sem "armas"!
A propósito do Centenário da República que já se celebra por aí, recuperei do Vouguinha inicial o meu reactivo espanto a um discurso do intelectual republicano Alçada Baptista. Nele, o reconhecido pensador e homem de Letras, que já não está entre nós, defendia que fosse retirado da letra do Hino Nacional o brado "Às armas, às armas!".
Se, ao tempo, ouvi a proposta com alguma preocupação, passados que estão alguns anos, já nem me surpreenderia que aparecesse um qualquer maçónico ou republicano mais empedernido a defender um hino totalmente remodelado, com refrões de rosas, boys, mariposas e outros artifícios mais consentâneos com a realidade que nos vai sendo imposta.

Fora de órbita!
Acabei o último apontamento às voltas com Saramago e a "sua" União Ibérica! Escrevi sobre os símbolos pátrios que, por o serem, merecem atenção e respeito. Sem dispensáveis fanatismos, mas com honra e, sobretudo, sem vergonha ou inculcados temores! Respeitá-los é respeitarmo-nos enquanto concidadãos. Reconheci sempre, sem rebuços, o valor dos intelectuais deste País, na seu exercício de vida de sublimação da mente, na inquietação da luta pelo pensar mais além. O que não impede que questione, muitas vezes, e não concorde outras tantas, com alguns dos seus assomos, tantas vezes, estapafúrdios! Comparo-os, então, com as naves espaciais quando vão além da órbita da Terra: nunca sabemos o que vão encontrar.....o que dali vai sair! Foi, mais recentemente, o Saramago, já havia sido Alçada Baptista, em 1997. E o que, no ensejo, escrevi, já lá vão dez anos, tem plena actualidade. Há valores que são imutáveis e não se esboroam com o inexorável passar dos anos: Ainda se não desvaneceram os ecos do inesperado brado do intelectual Alçada Baptista. O pouco que ficou foi a estupefacção de muito boa gente, ao ouvir dum homem de reconhecida cultura, uma das estrelas cintilantes do nosso espectro intelectual, numa cerimónia em que era suposto serem exaltados os símbolos e valores da Nação, proposta tão desajustada! É verdade que as opiniões pessoais só vinculam quem as defenda e salutar é que se respeite esse direito. Mas, perante uma afirmação daquele jaez, proferida em cerimónia oficial, quem pode ficar imune à crítica? Vou recuar no tempo e passar, directamente, à "questão do Hino", procurar beber um pouco da sua história. A marcha guerreira que, só após a tomada do Poder pelos republicanos, em 1910, veio a ser adoptada como Hino Nacional, foi composta por Alfredo Keil e Lopes de Mendonça, após o Ultimato Inglês de 1890. Sabemos do aproveitamento político que os adversários da Monarquia fizeram deste evento: a marcha soava bem, ficava no ouvido, inspirava coragem revolucionária. Natural foi que o público das revistas (teatro) - então muito em voga - saísse para a rua a cantá-la, após ouvirem os seus acordes no Teatro da Alegria. Foi tal a colagem desta marcha aos ideais republicanos de então que veio a ser proibida pelo poder monárquico, em 1891. Vir, agora, um nobel herdeiro dos pais da 1ª República, anti-monárquicos convictos, censurar a marcha que os seus ideólogos predecessores adoptaram como Hino Nacional logo após o triunfo republicano é, no mínimo, desconcertante. Não creio que um monárquico, por mais fiel que seja à Causa, tivesse a torpe ousadia de o secundar! Cabe aqui um parênteses: visto, com pragmatismo, mesmo a esta distância histórica, o Ultimato Inglês até nem foi tão nefasto para os nossos interesses coloniais de então, se atendermos ao contexto internacional, com muitos países ciosos das nossas possessões africanas.É que o tratado luso-britânico de 11/6/1891 confirmou a nossa soberania sobre extensos territórios que, reconheçamos, por falta de homens, meios e, talvez, vontade, não dominávamos antes. E esse ultimato acabou por ser a mola que fez despoletar o empenhamento pelo efectivo domínio desses territórios. E volta a ser curioso como um facto histórico - o ultimato - que acirrou o ódio das massa contra a Monarquia, a quem acusaram de traição à Pátria, e foi o principal estandarte republicano de agitação popular, num pretenso assomo de portuguesismo colonialista, viesse a ser o embrião do Hino Nacional, hoje símbolo de respeito e união, quando sabemos terem sido os lídimos defensores dos homens da Maçonaria e da Carbonária de então, a apressarem-se, já nos nossos tempos, a defenderem com denodo e a provocarem, com pressa e grosseira precipitação, sem honra, sem glória e sem futuro para os Povos colonizados, a entrega desses territórios, os tais que se integravam no tão badalado Mapa-Cor-de-Rosa! Mais valeria que os primeiros o tivessem feito então e antecipassem, em quase um século, o abraço à Europa que nos estava a ficar tão longe. Além do mais, teriam poupado muito sangue, traumas, suor e lágrimas, a milhares de heróis do mar!... Com este pressuposto, sim, Lopes de Mendonça teria escrito outra letra para a marcha que Alfredo Keil compôs para fim de acto da revista política "Torpeza", em cena no Teatro da Alegria, já lá vão mais de cem anos. Mas, é evidente, sem qualquer ironia, nenhuma destas constatações dá legitimidade, de qualquer natureza, a quem quer que seja, para alterar um facto histórico. Não aceito, ninguém de boa fé o fará, que, ao sabor dos tempos e das marés, se vão substituindo (ou decapitando) estátuas, nomes de ruas, de monumentos, de obras de arte. Os factos históricos, positivos ou negativos, consoante a perspectiva de cada um ou de cada grupo, aconteceram na realidade, são marcas indeléveis no imaginário colectivo de cada nação e deles há ilações a tirar. E é com factos históricos - positivos ou negativos -, que os membros duma Sociedade melhor se esclarecem para as grandes opções do futuro, enquanto interventores nos processos evolutivos. Alterar ou suprimir o Hino Nacional só porque ele faz apelo "às armas" em tempo de paz, como pretendia Alçada Baptista, mais do que um acto gratuito, seria uma afronta à História. Mas, ainda que se aceitassem os argumentos, supostamente, pacifistas do proponente, quem recusará reconhecer que necessitamos de armas, muitas armas, que não as da guerra, mas as económicas, de trabalho, de saber, com perseverança marcharmos contra os "canhões" que são os escolhos, os obstáculos, as lutas económicas, que se nos vão deparando na Europa do nosso destino?! Não é demagogia, é um desafio bem real e actual. É que Alçada Baptista, de quem não descremos do elevado grau de cultura e iluminismo, não se compadecendo com imagens literárias ou não não reconhecendo que somos um povo de poetas, estava a condenar Camões no próprio dia em que lhe foi cometida a missão de o celebrar: o gigante Adamastor seria mesmo, e só, um monstro horrendo que devorava as nossas caravelas? O Velho do Restelo seria apenas, singularmente, aquele velhote rabugento que se postava no areal a praguejar contra a partida das nossas naus? Nada disso, como é óbvio. Alçada Baptista deve ser um homem inteligente, que conhece o valor dos símbolos e das imagens. Pretendeu, com a sua proposta, uma centelha de luz dos projectores televisivos que lhe iluminem o crepúsculo de homem público?! Talvez..... Por mim, mantenho que continuo a sentir-me bem ao ler, ouvir ou cantar toda a letra do nosso Hino e não me envergonho do orgulho que sinto quando onze jovens de equipamento verde-rubro o fazem em uníssono nos campos de futebol, ou quando a pequena Rosa Mota, a nortenha Fernanda Ribeiro, a morena Carla Sacramento, o entoam, com sentidas lágrimas nos olhos, enquanto desfraldam e acenam com a bandeira que sentem sua e de todos nós. Bandeira que, mais do que o Hino, reúne em si séculos de história, pois se o esperançoso verde e o revolucionário vermelho lhe foram atribuídos pelos republicanos, os brasões, os castelos e a esfera armilar em muito os antecederam. E, já agora, correndo o risco de a muitos ter de pedir perdão, aventuro afirmar que mais de 90% dos portugueses com menos de trinta anos não faz uma leitura plena dos símbolos da sua e nossa Bandeira. Não os culpemos. Julguemos antes os complexos que se criaram quanto ao ensino da História nos bancos das nossas escolas. Gerou-se um sentimento de pavor em transmitir os eventos verdadeiros, as fases de glória e crise da Nação, e de tal forma que, tempo houve, em que soava a pecadilho político falar em Pátria! Como se alguém tivesse medo da verdade histórica! Certo é que as matérias de várias disciplinas foram bruscamente alteradas, mesmo a nível universal, pelos acontecimentos que foram ocorrendo de forma célere por todo o Mundo, mas não creio que fosse só essa a razão de tanto trabalho dado aos tipógrafos. É que os "fazedores" de história do nosso país, nos primeiros anos pós-revolucionários, faltaram ao rigor, opinaram de mais e viram-se aflitos quando tiveram de informar e corrigir que, afinal, as maravilhas económicas do Leste, do Sol da Terra, por exemplo, tão profusa e apaixonadamente apregoadas nos compêndios, não passaram duma miragem, dum logro narrativo. Nesse período, estudou-se mais a história de certos países predilectos, por conveniência revolucionária, que a de Portugal. E os tristes resultados vêm depois.....alguns anos depois. É certo, e justo reconhecê-lo, que antes da Revolução de Abril de 1975, mais do que o rigor histórico, o método de os transmitir deixava muito: era o culto da personalidade, em que, passe o exagero, era primordial saber da cor dos olhos duma Infanta ou se este ou aquele rei era bígamo ou beato, do que conhecer o cerne dos acontecimentos e dos ciclos evolutivos. Mas o estudo da História Pátria era exaustivo e, arrisco mesmo, comparativamente, menos tendencioso. Ter-se medo que o Povo conheça profundamente a sua História, é temer a verdade. Quem teme a Verdade?
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Um abraço à Madeira

Não há como esconder, os dramáticos acontecimentos na Madeira, vergada pelas forças da Natureza, marcaram, com vincada tristeza, o passado fim de semana.
Sem frases lamechas, não posso deixar sem registo o meu manifesto de pesar para com os madeirenses, com o pensamento, sobretudo, naqueles, muitos, que fazem o favor de ser meus amigos e choram por estes dias as suas vítimas e os seus haveres,
E, envergonhado por ter sabido, em primeira mão, da trágica notícia ao ouvir um deputado da oposição madeirense, nas televisões, culpando, num miserável e inoportuno aproveitamento político, o Governo daquela Região Autónoma, no momento em que ainda haviam conterrâneos seus a debaterem-se na luta pela sobrevivência.
Bem ao invés - é justo referi-lo -, o Governo Nacional, como dele se exigiria, tem demonstrado, desde o início, uma louvável solidariedade e empenho nas medidas conducentes ao apoio de que, nesta hora de angústia, a Madeira e o seu Povo necessitam.
Fica o meu sincero pesar, mas também a confiança na coragem e na força de todos os madeirenses para, depois de chorarem os seus mortos, arregaçarem as mangas e, com o apoio do todo nacional, voltarem a repor naquela Ilha o estatuto de Jardim do Atlântico.
Bem retratado nas imagens que um meu familiar, de visita à Madeira, registou em Março de 2009. E que aqui deixo, como singela homenagem a todos os seus habitantes.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
MAPUTO, Fevereiro de 2010

Desta cidade, capital de Moçambique, escreveram, hoje, na Revista Tabu (Semanário Sol), os repórteres Filipa Germano e Telmo Lagoia que a visitaram recentemente:
" Maputo é uma cidade maravilhosa.
Assim sente quem atravessou África e pode comparar esta capital com Cartum, com Adis-Abeba, Nairobi, Da-es-Salam, Joanesburgo ou tantas outras. E não falo de conquistas económicas, de saneamento ou de índices de desenvolvimento industrial e tecnológico. Falo de pessoas, de povos e do convívio cordial que se estabele entre eles. Falo de uma cidade que goza o mar e a relação privilegiada que tem com ele, enchendo de cor, vida e amor uma belíssima marginal. Falo de uma cidade cheia de cafés e de esplanadas onde se misturam todas as cores. Em que negros, brancos e indianos partilham as mesmas conversas. Onde há ardinas e vendedores ambulantes de DVD, de música, de mangas e papaias e de lichas, de jeans e de computadores...........................
..... Falo ainda de uma cidade de mesquitas, de igrejas e templos hindus erigidos lado a lado. Falo de civilização, não de economia....................."
Imagens de Fevereiro de 2010:
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Conto bucólico

O Ti Zé, um pastor beirão, era conhecido naquela aldeia como sendo o mais bem sucedido pastor da região serrana.
Vivia numa casa de granito, junto ao caminho de terra batida que vai do casario até ao adro da velha igreja. Uma moradia típica, ladeada de frondosas latadas, com paredes cobertas de musgo fino, sendo o piso inferior destinado à guarda das suas ovelhas.
Saía de casa pela manhã, assim que o sol espreitava na orla do monte, levando o cajado numa mão e a sacola do almoço na outra, guiando os animais pelo vale, até ao local da pastorícia.
Era a meio da tarde que recolhia os animais no amplo curral térreo.
E o caricato ia-se sucedendo num ritual diário: uma das suas ovelhas, velha lãzuda e teimosa, enquanto as demais entravam, submissas e alinhadas, aquela recuava, saltitando pelo quintal fronteiro.
A cena repetia-se todos os santos dias da semana. De Segunda a Domingo, sem falhas ou variantes. O Ti Zé descia sempre os degraus até ao piso térreo para dar guarida, junto às outras, à tal ovelha desavinda.
Até uma tarde de Domingo!
O nosso pastor acabava de recolher o seu rebanho, à excepção da ovelha rebelde. Havia já subido ao piso superior e assomado à janela para observar os grupos de crentes que iam a caminho da missa vespertina.
Todos olhavam, e riam, enquanto aquela continuava nos seus balidos de protesto junto à porta do curral.
E foram ocasionais testemunhas da revolta do Ti Zé, que, berrando em tom irado e sonoro, cortou de vez a teimosa mania do animal:
- À PORTA RINCHAS, MAS AO CURRAL NÃO TORNAS!!!...
Ocorre-me interrogar se, num destes dias, em que outro pastor reúne o seu rebanho, alguma ovelha rebelde ficará a rinchar à porta do curral.
Creio que não, são ovelhas submissas e cegamente obedientes ao grande Pastor!
E todas irão balir a uma só voz:
- Mé! Mé!
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Toupeirada

São estes os títulos e subtítulos dum tema com duas páginas em que o C. M. de hoje "esmiuça" um pouco mais da máquina de propaganda que todos nós, cantando e rindo, vamos custeando.
Que os apaniguados da rosa tenham todo o direito de se exprimirem, opinarem, aplaudirem por todos os espaços mediáticos, sem quaisquer reservas, está fora de qualquer discussão. Estamos em democracia, que é de todos e para todos!
O que já não aceito, condeno e repudio é que funcionários do Estado, pagos por todos os contribuintes, vistam as roupagens de assessores, chefes de gabinetes ou outra qualquer vestimenta , ao invés de exercerem as suas funções públicas, percam o seu tempo de trabalho e invistam as suas energias e criatividade a "vender" a imagem das chefias.
Ainda assim, não vislumbro da oportunidade da notícia, se tivermos em linha de conta que qualquer internauta, mesmo o pouco atento, de há muito se terá apercebido de muitas das situações hoje dadas à estampa por aquele matutino.
Por mero exemplo, estes "desabafos" que repesquei do meu Vouguinha original:
quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008
Eles já andaram por aqui

E inevitável: por mais segurança que tenhamos, por mais carrapatos que os sentinelas eliminem, há sempre toupeiras mais tecnicamente evoluídas (e..., talvez, bem pagas) que invadem o nosso território virtual.
Resistindo a uma adequada fumigação , melhor que o exterminador implacável foi uma formatação para cortar a garra ao mamífero do subsolo.
Deu, e ainda está a dar, algum trabalho, mas carrapatos e toupeiras regressaram para o local de onde nunca deviam ter saído: a lixeira da net!
terça-feira, 18 de Novembro de 2008
As toupeiras

"Máquina eleitoral e uma máquina de poder, que deixou de ter vida própria e autónoma"
São as palavras de Manuel Alegre, ao classificar o partido político de que é militante.
"Máquina eleitoral" e "máquina de poder" duas condições que, na acção, podem trazer alguma credibilidade ao que se vai dizendo de boca em boca e em desabafos nos blogues que pululam na net, de que o PS, para além dos apaniguados de sempre e outros oportunistas e militantes convictos, tem avençados, por si ou por interpostas agências, comentaristas profissionais, controlados por assessores de comunicação, que desenvolvem um autêntico trabalho de toupeiras da Informação.
Diz-se que essas toupeiras, para lá de outros serviços junto dos órgãos de comunicação social, têm por missão trabalhos de sapa no espaço virtual, onde serão olheiros atentos e interventores residentes, procurando, sistematicamente, desmontar peças de opinião que sejam perversas ao governo ou incómodas para as forças do Largo do Rato.
Não tenho meios para comprovar a existência de tais toupeiras mercenárias, mas a existirem, esse fenómeno de comentadores profissionais que, sem ideologia própria ou militante, se colocam ao serviço de "marketing" partidários, evocou-me o que se passava nos já longínquos anos do PREC.
Esses, sim, episódios que comprovei e vivi.
Decorria o atribulado ano de 1975. Os partidos políticos despontavam como cogumelos, as paredes, os prédios de Lisboa, iam ficando atapetados de slogans e mensagens políticas, de tal forma que nem as paredes interiores da Assembleia Constituinte escapava ao furor da propaganda partidária.
Numa tarde primaveril, ali ao Largo do Calvário, no edifício da Promotora, um grupo de quatro jovens, armados de balde e braçadas de papéis, colavam cartazes, na falta de mais espaço livre, por cima dos já existentes.
Curioso, por não haver deslindado, ao primeiro olhar, qual o novo partido em promoção nos lençóis publicitários que os rapazes iam abrindo, interroguei-os acerca do projecto social defendido para o país por aquela força política.
A resposta veio célere e em uníssono:
- Sabemos lá nós! O que nos interessa é que eles nos paguem no fim do trabalho!
Tal como as bruxas, nunca vi toupeiras, mas que as há, há!
Assinar:
Postagens (Atom)



