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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Os gordos ficam eunucos a partir dos 60?


Não é raro, ao folhearmos um qualquer jornal, ficarmos boquiabertos com notícias que nos dão conta de casos insólitos, muitos raiando o inacreditável.
Hoje, deparei-me com uma dessas notícias que, para não distorcer o contexto com discurso subjectivo, reproduzo na íntegra:
" O Tribunal da Relação de Guimarães reduziu a pena a um homem de 69 anos que em Janeiro deste ano foi condenado a seis anos de prisão por violar uma menina de 12 anos, sua vizinha. O pedófilo viu a condenação ser alterada para cinco anos e três meses e o crime modificado para coacção sexual agravada. *Atesta que tendo o arguido 69 anos e pesando 95 kg não lhe era fisicamente possível praticar os movimentos típicos da cópula*, diz a Relação".
Diria que é uma pérola de acórdão, peça que teria lugar cativo no anedotário nacional, se não fosse sério e preocupante a situação que gerou esta "iluminada"visão judicial...
Não sei se o Tribunal da Relação recorreu a peritos, sexólogos e afins para tal juízo, mas inferir, seja de que forma for, que um homem de 69 anos e 95 kg não pode praticar "movimentos típicos da cópula" é considerar eunuca uma grossa fatia dos machos portugueses!
Valha-nos a Santa Paciência e a Madre Tolerância!
Um acórdão destes só tem paralelo, ainda que sejam distintas as paternidades, com aquela alteração ao Código Penal, levada a efeito na Legislatura de maioria absoluta socialista, em 2007, na fase "quente" do Processo Casa Pia, que considera um só crime, continuado, 2, 3, 5, 20...abusos pedófilos sobre a mesma vítima... Imagine-se da tontaria de tal conceito, como se a criança objecto destas sevícias só houvesse sofrido uma vez por todos os inúmeros momentos de violência a que foi sujeita!
Como já se ouve por aí dizer com assustadora frequência: este País já não existe!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Esmiuçando a trapalhada dos Impostos


Depois de ouvir o Primeiro-Ministro, o Ministro das Finanças e seu Secretário de Estado e, até, alguns comentadores televisivos versados em Economia e Fiscalidade, fiquei com a estranha suspeita de que a "trapalhada" não é fácil de esmiuçar.
Não serei eu, um leigo na matéria, avesso a números e cálculos, quem encontrará uma lâmpada por fundir nesta escuridão em que, com ou sem intenção, nos mergulharam, a propósito da sobrecarga de taxas nos impostos.
As dúvidas andam por aí: as novas taxas aplicáveis ao IRS têm efeitos retroactivos, não têm, se têm é a partir de Maio, de Junho, de Julho?
Nada mais prático para entreter a "malta", deixando-a a discutir em torno de algo acessório, distraindo-a. Que, enquanto "o pau sobe, folgam as costas...".
O que me parece, e se assim for era obrigação do governo, ao invés de se refugiar envergonhado por detrás do biombo, esclarecer os contribuintes, deixando-se de evasivas e partindo para a transparência, sem nos emaranhar nos termos técnicos, é o seguinte: sendo as novas taxas aplicadas quando da apresentação das declarações do IRS, no início de 2011, e referentes à totalidade dos rendimentos de 2010, é irrelevante (a não ser na diferença do descontar antes ou pagar depois )que as retenções na fonte, mensais, tenham início em Maio, Junho ou Julho!
O que contará mesmo é o cálculo final, com base naquelas declarações anuais e, como referi e é minha opinião pessoal, a taxa ora imposta contemplará a globalidade dos rendimentos de cada um, de Janeiro a Dezembro.
Assim sendo, há mesmo retroactividade!
O que falta mesmo saber é da sua constitucionalidade. Mas essa é outra discussão...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A falência das Comissões de Inquérito


Não sei se Sócrates mentiu ou não ao Parlamento, não sei se teve ou não responsabilidades na tentativa de compra de parte da Media Capital, a proprietária da TVI.
Não sei e vou continuar a não saber, acabada que seja a Comissão de Inquérito Parlamentar criada com o singular objectivo de esclarecer a verdade.
Não me vou repetir a propósito do que penso da validade dessas comissões. Repesco na íntegra a percepção que já tinha, desde 2008, quanto à sua utilidade.
Apenas me ocorre acrescentar que, desta feita, só não foi tudo esclarecido porque a Justiça, ensarilhada nos fios legais em que se move, optou, vá-se lá saber das razões, por não permitir que o azeite viesse à tona da água.

quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

Ainda as Comissões de Inquérito

Não volto ao assunto para me vangloriar de ter razão antes do tempo. Muito menos para branquear a imagem e o mutismo do "arguido" Oliveira e Costa. Que, como por aqui defendi, nem tão pouco devia ser chamado ao Parlamento. Nem ele, nem o Procurador da República, nem outros envolvidos ou testemunhas do caso BPN, nas mãos da Justiça.
Venho, sim, reforçar a ideia da falácia e até da inconveniência das denominadas "comissões de inquérito" promovidas pela Assembleia da República. Sobretudo, quando colidem, ou concorrem, com as investigações que decorrem no âmbito dos Tribunais.
Se a nossa Democracia tem que ser enobrecida, mais do que ninguém, pelos políticos que nela são protagonistas, muito ela terá a ganhar se forem respeitados os campos de actuação das instituições do Estado. E o que vemos é a politização, e, em alguns casos, a partidarização da vida nacional, do funcionamento dos seus órgãos o que, desacreditando a democracia, oferece solo fértil para que germinem atropelos e desmandos de toda o ordem.
Volto a repetir o velho provérbio: Cada macaco no seu galho!
E a puxar acima o que, sobre o assunto, por aqui escrevi em 22 de Novembro de 2007, sublinhando as partes mais pertinentes para o caso:


Sábado, 22 de Novembro de 2008

Comissões de Inquérito

Dias Loureiro, na sua qualidade de Conselheiro de Estado, solicitou ser recebido na AR para se submeter a uma audição a propósito do caso BPN.

Enquanto alguns partidos com assento parlamentar tentaram viabilizar esse seu desiderato, a maioria socialista inviabilizou-o, alegando que a sua presença naquele órgão institucional seria considerada uma ingerência nos assuntos da Justiça.

O que, registo-o, até foi uma posição assertiva, considerando a justificação utilizada.

Espanta-me - ou nem tanto -, é a mesma bancada socialista no Hemiciclo a exigir a comparência do Procurador-Geral da República, precisamente para dar explicações sobre o mesmo caso escaldante, sabendo todos que, assim que o homem abrir a boca para falar do BPN, estará, ainda que sem intenção, a revelar pormenores da investigação. De contrário, só entrando mudo e sair calado!

E surgem as interrogações acerca dos motivos que levam o partido no poder a usar de dois pesos e duas medidas, mais depressa do que um macaco demora a coçar o rabo!

Incoerência? Uma agenda muito própria da bancada PS?

Só eles poderão responder.

A nós, o direito de desconfiar, mais uma vez, da bondade das decisões destes senhores absolutos do Parlamento.

Ainda relacionado com o caso BPN, admitindo, até, que o hajam feito com louváveis propósitos, veio o CDS propor a instauração dum inquérito parlamentar a este escândalo financeiro.

E o meu espanto, desta feita, não é tanto por qualquer incoerência. Apoia-se na convicção, que se foi sedimentando ao longo de muitos anos, de que os resultados palpáveis das comissões de inquérito, e foram muitas, empreendidas pela AR, na sua esmagadora maioria, mais não foram que pinhões chochos. Inócuas, logo inúteis.

Não esquecemos, ainda, "o Caso Sá Carneiro". Comissões sobre Comissões, centenas de audições, e tudo se foi arrastando, penosamente, ao longo dos anos sem que os eleitos tenham apresentado junto do povo que representam algum resultado concreto.

Já lá vai mais de um quarto de século desde o funesto acidente/crime e, a par da mortalha que cobriu aquele estadista e seus companheiros de infortúnio, um nebuloso manto de dúvidas e legítimas desconfianças continua a camuflar toda a verdade dos factos.

Sendo assim, a instituição Assembleia, mais não deve que deixar a instituição Justiça desenvolver, sem empecilhos inúteis ou ingerências embaraçosas, o seu trabalho de investigação e , sempre que for caso disso, de punição dos criminosos comprovados.

Compete à primeira, isso sim, prestigiar a Magistratura e, sobretudo, aprovar leis exequíveis, para que esta possa servir-se das ferramentas adequadas e não de diplomas absurdos e contraditórios que façam da legislação portuguesa uma autêntica floresta de enganos.

No caso BPN e em todos os que vierem a ser despoletados, muito especialmente nos de colarinho branco, que sejam os órgãos competentes, sem dúbias intromissões, a investigar a verdade dos factos, se por mais não for, para que não surjam as tão badaladas teorias da conspiração.

Ou melhor, e como bem diz o Povo: Cada macaco no seu galho!

B.A.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Um singelo "adeus" a um homem livre!


J. L. Saldanha Sanches, Doutor em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa, professor e jurisconsulto nas áreas de Direito Fiscal, Direito do Balanço e da Contabilidade, Direito Financeiro e das Finanças Públicas.

Não tenho espírito de carpideira, nem pretendo engrossar o caudal dos que só dão valor às pessoas depois da morte. Sinto-me é obrigado, por dever de consciência, a vergar-me à memória dum homem livre que, fosse qual fosse o percurso político em alguma fase da sua vida, soube manter-se fiel ao seu ideário de liberdade, sem submeter os braços às sujas grilhetas partidárias.
Clamou sempre pela verdade, bradou contra a corrupção instituída e, reconhecendo que a democracia se não faz sem partidos, soube manter a distância necessária dos políticos que hoje os enformam. Para se manter livre a sua honra.
Que tenha Paz no seu descanso final. Que vivifique o seu exemplo de vida!
E, num manifesto da minha admiração, relembro uma das suas frases:

"Os partidos têm de ter vergonha e ter cuidado com quem colocam nos postos cimeiros"

domingo, 16 de maio de 2010

A Mãe - Conjunto de Oliveira Muge

Poucos foram os que passaram por Moçambique e não ouviram esta melodia deste conjunto local.
Considerada lamechas por uns, saudosista por outros, não deixou de ser uma canção afectiva, um lenitivo breve para quem se viu obrigado a um afastamento que não desejou e em situações em que ocorrem todas as lembranças e emoções.
E que se mantém viva na alma de todos os que ainda têm memória.
A MÃE:


quinta-feira, 13 de maio de 2010

Recordando...

...o Conjunto Académico de João Paulo...e as Milenas portuguesas que estão esperando que o tempo aqueça mais um pouco para desfrutarem dos prazeres do sol e da praia...

Ouçam:


segunda-feira, 10 de maio de 2010

Pardal ou Águia Real?



Está tudo muito bem esclarecido: era mesmo uma ÁGUIA REAL, que está de parabéns, pelas garras e pelo comportamento dos seus apaniguados durante a noite de ontem, provando que, sabendo ganhar, outros há que não sabem perder. Quando o Futebol, como todo o Desporto não devia passar de uma festa... Saudável e vivida por toda a família e não um palco de escape de frustrações e outras idiossincrasias pouco recomendáveis.

Por agora, VIVAS AO CAMPEÃO!

domingo, 9 de maio de 2010

Pardal ou Águia Real?


Hoje, pela manhã, assim que assomei à janela, lá estava um dos pardais na refeição matinal. Ainda ensonado, mas já a pensar no fim do dia, os meus olhos fizeram zoom e vi, por alguns momentos, o pardalito transformar-se numa vistosa Águia Real.....a encher o papinho!!!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A Mancha Branca

Ninguém é perfeito. Muito poucos o serão naquelas hostes, que não se cansam dumas frequentes "borradinhas". Demasiadas vezes e nos diversos galhos onde se empoleiram.
Como todos vimos nas imagens, que, ainda que o quisessem, nem STJ nem PGR iriam a tempo de mandar destruir, o deputado Ricardo Rodrigues, que se tem notabilizado pela defesa intransigente que vem fazendo do seu amado leader, nos diversos fóruns onde se discutem casos de "suspeição", não gostou das perguntas dos jornalistas a propósito do seu passado e deu às Vila Diogo. O que nem seria inédito ou reprovável, tantas vezes os seus pares, com o PM à cabeça, deixam os repórteres de microfone à vela, sempre que as perguntas não são do seu agrado ou por não terem respostas convincentes... e convenientes, na sua óptica.
A mancha, digamos que branca, já que o homem se desculpou com a irreflexão, consistiu mesmo naquilo que o CP tipifica por furto. Agravado, se atendermos ao que dispõe o artº 33º da Lei de Imprensa aprovada pela Lei 2/99, de 13/1, que prevê prisão de 3 meses a 2 anos.
Mas disso, não sei quando, nem como, nos darão conta os Tribunais....
O que nós, cidadãos, pais e educadores, poderemos dar conta desde já, é do triste e censurável exemplo que um deputado da Nação deu aos jovens, àqueles de quem, na mesma Assembleia de onde se esperava ser demitido pelo seu acto, se discute o Estatuto do Aluno, numa tentativa de disciplinar o comportamento dos estudantes, nas salas de aula e fora delas. Na Sociedade!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Casas de luxo e carros topo de gama....

... são propriedade de alguns dos 23 detidos pela PJ por tráfico de armas e de droga.
Nada de invulgar, se não fosse o facto de alguns dos detidos serem beneficiários do Rendimento de Inserção Social, o conhecido "Rendimento Mínimo", custeado pelos impostos pagos por quem trabalha.
Não discutindo o alcance social deste subsídio, nem querendo tomar a parte pelo todo, há algo que sobreleva nesta notícia, que está longe de ser inédita e reforça a opinião dos que pugnam pela urgência do exercício duma apertada fiscalização, quer no processo tendente à sua concessão, quer na observação constante do modo de vida dos beneficiários desta prestação social. E, neste contexto, não estamos a tratar de perspectivas ideológicas
Como se já não bastasse o nulo tributo que aqueles prestam à sociedade que os gratifica, temos que, alguns deles, não se conformando com a dádiva social, partem para actos que lesam a vida e os bens daqueles que são forçados a sustentar vidas de pobreza numa face e luxo e abundância na outra.
Há que destrinçar os que, comprovadamente, necessitam de apoio e aqueles que se riem da bondade do espírito social, gozando à tripa forra e em actividades marginais.
Sendo que, afinal,nada disto é estranho num Estado onde a corrupção, a vigarice, a mentira trafulha, se empoleirou, até nos patamares mais altos da pirâmide nacional.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Flagrantes em Xai-Xai, Moçambique

Duas imagens do quotidiano de quem faz pela vida, um quadro com milhões de coordenadas possíveis, nesta Terra onde muitos labutam pelas necessidades básicas...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Esta menina bonita...




...,durante 9 ou 10 meses, nos já distantes anos de 1968/1969, era das mais belas de Moçambique, sempre que o calendário apontava para mais uma Sexta-Feira. Passava por ela e não resistia a um sorriso e um aceno de "bye-bye". De regresso, na Segunda-Feira seguinte, logo pela manhã, olhava-a com desdém, carrancudo, como se a rapariga, que, afinal não passava duma porta, fosse a mais feia de Boane!


sábado, 1 de maio de 2010

Eu, benfiquista, me confesso....

... e garanto que isto não é provocação.
É celebração, que,desejo e espero, não seja prematura.
Não fiz diferente dos gaiteiros: vim de véspera.
Para me "alienar" e esquecer um outro "desporto" neste País: Destruir, empobrecer, desempregar...
O Hino do Glorioso é uma aspirina, não cura o mal, mas alivia a dor.....

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Uma mão cheia de nada...


... a outra cheia de dívidas.
Em 2005, José Sócrates prometia uma mão cheia de profundas - esperadas e necessárias - reformas na administração pública, criação de milhares de empregos e um rotundo não à subida de impostos.
No fim do mandato, em 2009, depois de governar com uma confortável maioria absoluta e ter a faca, o queijo, algum autismo político e muita, excessiva, arrogância, não reformou (limitando-se a colocar gente da cor nos postos chave da função pública), não criou empregos, subiu os impostos.
Foi uma mão cheia de nada!
A oposição e outros especialistas da sociedade civil, alertavam-no para o rumo perigoso da nossa economia. O governo empertigava-se perante os conselhos, rugia ferozmente às críticas, enquanto ia alardeando um futuro risonho, apoiado na sua auto proclamada bondade, no seu empenho e sapiência.
Fim de mandato, campanha eleitoral, mais uma mão cheia de promessas, de perspectivas optimistas e um conveniente e estrondoso "engano" no deficit e na real situação da nossa economia.
Últimos dias de Abril de 2010, escassos meses após a tomada de posse de mais um governo socialista, com a mesma personagem na liderança, e já desnudado o monstro do deficit, da dívida galopante, do nulo crescimento, do desemprego em preocupante marcha acelerada, eis um artificial amansar da ferocidade, desvanecendo-se o brilho do gasto discurso de retórica gabarola, enquanto se apela à união nacional.
Culpados? Continuam a ser os outros, desta feita os de fora, os desalmados especuladores que, pela calada da noite, como lobos esfaimados, nos atacam com os obuses dos juros, espicaçados pelas malvadas agências de rating!
O inimigo deixou de morar no nosso Bairro. Emigrou....
Na perspectiva governamental, todos errados, todos maldosos, forças que atacam o Estado português, sem que lhe hajamos dado o flanco, sem que o governo, ainda no entendimento deste, se tenha, para tal, "posto a jeito". Tudo isto, sem que o máximo responsável pelo executivo tenha levado em boa conta os avisados alertas que lhe vinham sido feitos, desde há anos!...
Tocam, agora, os clarins de S. Bento. Apelam, estridentes, ao patriotismo; pedem tropas e reforços que, conhecendo o peculiar espírito solidário dos portugueses nas horas amargas, sabem lhes não serem regateados, ainda que os mais sacrificados, nesta como noutras batalhas, sejam sempre os infantes apeados, a soldadesca mais desprotegida...
Entretanto, avança um dos generais desavindos, dos que reúnem mais tropas, que acerta os passos com os desígnios do comandante supremo do governo.
Logo os costumeiros arautos televisivos, que nos habituaram à bajulice laudatória, batem palmas e pretendem fazer-nos crer que tem sido a luta partidária, a falta de apoio da oposição, a responsável pela crítica situação económico-financeira a que chegámos.
Como se alguém, mesmo os mais desatentos, esquecesse, como já atrás mencionei, que José Sócrates governou mais de quatro anos com maioria absoluta e usou e abusou do princípio do "Quero, Posso e Mando", enquanto os parlamentares socialistas iam fazendo tábua rasa de todas, e foram muitas, as propostas da oposição.
Esperemos para ver. Que rezem os que têm fé; que os masoquistas militantes (e votantes) continuem a adorar o "grande leader", enquanto sacodem a caspa do casaco; que alimentem uma réstia de esperança de que algo de positivo resulte desta comunhão de esforços, todos os outros.
Por mim, pedindo penitência pela visão "negativista", pressinto que com este chefe de governo - e faço a destrinça entre a pessoa e o partido a que pertence -, não há como retroceder na caminhada para o abismo económico e social há muito iniciada.
Mais pressinto, com preocupação, que, destes esforços, para além dos sinais e boas intenções, não teremos para o País, outra vez entre tantas, mais do que uma descarnada mão cheia de nada!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Outros tempos, outra honra!

Chegou-me via mão amiga.
Assinado pelo autor, felizmente, ainda entre nós, testemunha de valor dos tempos em que nem tudo seria bom, como é óbvio e sabemos, mas em que se respeitavam, ao mais alto nível, os valores que, nos nossos dias, são frequentemente espezinhados por quem teria o dever maior de os preservar e praticar:


"MEMÓRIAS DO PORTUGAL RESPEITADO
Corria o ano da graça de 1962. A Embaixada de Portugal em Washington recebe pela mala diplomática um cheque de 3 milhões de dólares (em termos actuais algo parecido com € 50 milhões) com instruções para o encaminhar ao State Department para pagamento da primeira tranche do empréstimo feito pelos EUA a Portugal, ao abrigo do Plano Marshall.
O embaixador incumbiu-me - ao tempo era eu primeiro secretário da Embaixada - dessa missão.
Aberto o expediente, estabeleci contacto telefónico com a desk portuguesa, pedi para ser recebido e, solicitado, disse ao que ia. O colega americano ficou algo perturbado e, contra o costume, pediu tempo para responder. Recebeu-me nessa tarde, no final do expediente. Disse-me que certamente havia um mal entendido da parte do governo português. Nada havia ficado estabelecido quanto ao pagamento do empréstimo e não seria aquele o momento adequado para criar precedentes ou estabelecer doutrina na matéria. Aconselhou a devolver o cheque a Lisboa, sugerindo que o mesmo fosse depositado numa conta a abrir para o efeito num Banco português, até que algo fosse decidido sobre o destino a dar a tal dinheiro. De qualquer maneira, o dinheiro ficaria em Portugal. Não estava previsto o seu regresso aos EUA.
Transmiti imediatamente esta posição a Lisboa, pensando que a notícia seria bem recebida, sobretudo num altura em que o Tesouro Português estava a braços com os custos da guerra em África. Pensei mal. A resposta veio imediata e chispava lume. Não posso garantir a esta distância a exactidão dos termos mas era algo do tipo: "Pague já e exija recibo". Voltei à desk e comuniquei a posição de Lisboa.
Lançada estava a confusão no Foggy Bottom: - não havia precedentes, nunca ninguém tinha pago empréstimos do Plano Marshall; muitos consideravam que empréstimo, no caso, era mera descrição; nem o State Department, nem qualquer outro órgão federal, estava autorizado a receber verbas provenientes de amortizações deste tipo. O colega americano ainda balbuciou uma sugestão de alteração da posição de Lisboa mas fiz-lhe ver que não era alternativa a considerar. A decisão do governo português era irrevogável.
Reuniram-se então os cérebros da task force que estabelecia as práticas a seguir em casos sem precedentes e concluíram que o Secretário de Estado - ao tempo Dean Rusk - teria que pedir autorização ao Congresso para receber o pagamento português. E assim foi feito. Quando o pedido chegou ao Congresso atingiu implicitamente as mesas dos correspondentes dos meios de comunicação e fez manchete nos principais jornais. "Portugal, o país mais pequeno da Europa, faz questão de pagar o empréstimo do Plano Marshall"; "Salazar não quer ficar a dever ao tio Sam" e outros títulos do mesmo teor anunciavam aos leitores americanos que na Europa havia um país - Portugal - que respeitava os seus compromissos.
Anos mais tarde conheci o Dr. Aureliano Felismino, Director-Geral perpétuo da Contabilidade Pública durante o salazarismo (e autor de umas famosas circulares conhecidas ao tempo por "Ordenações Felismínicas" as quais produziam mais efeito do que os decretos do governo). Aproveitei para lhe perguntar por que razão fizemos tanta questão de pagar o empréstimo que mais ninguém pagou. Respondeu-me empertigado: - "Um país pequeno só tem uma maneira de se fazer respeitar - é nada dever a quem quer que seja".
Lembrei-me desta gente e destas máximas quando há dias vi na televisão o nosso Presidente da República a ser enxovalhado pública e grosseiramente pelo seu congénere checo a propósito de dívidas acumuladas.
Eu ainda me lembro de tais coisas, mas a grande maioria dos Portugueses de hoje nem esse consolo tem."


Sedm mais comentários. Basta reflectir....

domingo, 18 de abril de 2010

Os falidos

Hesitei na legenda para este cartoon do Carlos Laranjeira.
Pensei em "Dá o roto ao esfarrapado".
Vi-me grego para decidir e optei por um "euphemismós": Miseráveis solidários.


sexta-feira, 16 de abril de 2010

A capital de Moçambique em Março de 2010




Sabe bem rever a capital de Moçambique, que alguém me disse ter sido desenhada a régua e esquadro, tal a amplitude das suas avenidas e a sua forma bem delineada. E que tive o prazer de confirmar quando a rainha do Índico me acolheu por algum tempo.
Estas e outras imagens, em maior quantidade e melhor qualidade, poderão ser vistas no blogue de viagens do JT, em www.sulafrica.blogspot.com/


domingo, 11 de abril de 2010

A nêspera e o magnório


Decorria quente aquele Verão de 1975.
Nas ruas de Lisboa, sucediam-se as manifestações políticas. Ecoavam as palavras de ordem, os megafones ganhavam estatuto de utensílio do quotidiano.
Acalorados eram, também, os debates na Assembleia, ali a S. Bento, onde se discutiam, num irrequieto ambiente, os contornos da nova Constituição.
Eram o ano de brasa, de disputas, de intrigas, de frenesim, de cartazes, slogans e alguma confusão.
O largo do Calvário, a Alcântara, era o local de convívio, sempre que as pausas do trabalho o permitiam, de alguns companheiros do meu ofício.
Três deles, oriundos das regiões a norte do Douro, desafiaram-me para um "petisco de magnórios", que teriam na residência comum, à Rua das Francesinhas, nas imediações do Palácio de São Bento.
Era habitual que um deles, o de Famalicão, sempre que regressava de mais uma visita à família, fazer-se acompanhar de umas garrafas de verde "Tâmega", com que brindava com os amigos mais chegados. Outro, das imediações do Porto, era, por norma, portador duns enchidos e rojões, tudo pasto das petiscadas ("Trainadas", como ele as denominava) do grupo habitual.
Foi dele o convite para os magnórios. E lá fui, petisqueiro interessado, convencido de que iria ao encontro dum lanche de mais uma iguaria nortenha.
Após uma caminhada de meia hora, chegámos à moradia e estranhei que os três passassem, de imediato, para o quintal interior, um espaço típico dos bairros mais antigos da capital e de onde sobressaía uma nespereira ramalhuda, em que pontuavam pequenos frutos amarelados.
Vi-os saltar, como felinos adestrados, de ramo em ramo....e fui esperando, impaciente, que chegasse a hora do prometido petisco.
- Não sobes? Olha que os magnórios não vão aí ter contigo!
Estranhei o reparo de um deles, ao mesmo tempo que pressentia haver algo de errado nas minhas expectativas gastronómicas.
- Mas...isso são nêsperas! - arrisquei, com algum enfado.
- Nêsperas? Vai pedir as nêsperas às vendedeiras do Mercado do Bolhão e verás o que te acontece. Levas com os tamancos nos costados que só paras na Praça da Batalha! - respondeu-me o portista, por entre sonoras gargalhadas!
E entendi o logro em que caíra. Não tinham sido mesmo aqueles "magnórios" que me mereceram o sacrifício de tão longa caminhada pelas ruelas da cidade!
Pior, não tive como disfarçar a minha ignorância quanto à designação que os meus companheiros davam àquela fruta.
Regressei ao Calvário, ainda a salivar por algo mais substancial que aqueles frutos e acabei a noite a vingar-me num dos restaurantes da zona, a degustar um bife suculento e a martirizar-me por conhecer tão mal os usos e costumes do meu país, a que retornara poucos meses antes.
Decididamente, a nêspera do Porto é outra fruta.....

quarta-feira, 7 de abril de 2010

As ameias de Valença

Já foi assim noutras vilas e cidades.
Zangaram, estrebucharam, reclamaram, choraram.........conformaram, na sul vil tristeza.
Não dão votos. São poucos, não pesam na cartilha eleitoral.
Foi-se o ministro primeiro, veio a ministra depois, Setembro de eleições adiou o sabre. Que voltam a brandir na saúde e na vida de quem não goza da alforria de grande urbe, de generosa carteira de votantes.
O Interior seca, o Interior emigra, o Interior deserta, o Interior morre, com o apertar do laço duma política merceeira.
Chegada a hora de Valença, mais um estrebuchamento, mais um clamor pelo vilipêndio, que não terá eco algum no distante palácio dos interesses.
Revolta justa, mas em vão, com o senão dum precipitado desfraldar de bandeira de outrem, sinal dum virar de costas ao País de que se não podem alhear e é terreno próprio para continuar a luta por direitos. Pela Saúde.
Em Valença, e em todas as praças interiores, votadas ao desprezo pelo egoísmo centralista das grandes zonas metropolitanas.
Mas intramuros, para cá das nossas ameias e em nome da nossa Bandeira!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

África do Sul, Março de 2010

Principal vizinha de Moçambique, a África do Sul é uma potência africana, que sobressai pelos seus índices de desenvolvimento.
Caldo de etnias e culturas, o seu cariz multirracial emergente do fim do execrável apartheid confere-lhe uma faceta muito própria no continente africano.
A toda esta realidade não é alheia a visão humanista, a palavra e o exemplo, do símbolo da Paz que ainda é Nelson Mandela.
Ensombrados os últimos dias pela morte dum radical de extrema-direita, um movimento minoritário que se mantém arreigado aos ultrapassados dogmas da separação étnica, teme-se pela eclosão de confrontos que alterem aquele quadro de relativa paz e convivência.

Na antecâmara do Campeonato do Mundo de Futebol, que a África do Sul se orgulha de vir organizando e que se vai disputar muito em breve, todos esperamos que a sábia e pacífica palavra do Nobel da Paz vingue no espírito de todos os sul africanos, seja qual for o seu credo ou cor.

São do final de Março último as fotos do JT, publicadas num dos seus blogues de viagens, em
http://sulafrica.blogspot.com/. Limitei-me a dar-lhes algum movimento e acrescentar-lhes uma amostra das canções da inconfundível voz de Miriam Makeba.


sábado, 3 de abril de 2010

Duas amêndoas doces...

... do Litoral Alentejano, são as lagoas de Santo André e da Sancha. Reserva Natural, aquelas áreas protegidas são consideradas santuários de passagem de aves migratórias.
Amêndoas doces, chegadas ao Vouguinha com mais uma Páscoa e que, espero, e esperamos todos, não venham a sofrer da amargura dos abusos urbanísticos e preocupantes atentados ao Ambiente cometidos na região algarvia.
Que, não se podendo recuperar dos erros do passado, se preserve para o futuro o que ainda de genuína Natureza vamos tendo, e em que pontua, ainda, o litoral alentejano.


sábado, 27 de março de 2010

Banqueiros apoiam o PEC




Os Administradores dos principais Bancos portugueses, vieram, ontem, às televisões vincar o seu apoio às medidas previstas no PEC. Não é difícil saber das razões da concordância dos banqueiros! Como eu os entendo.....e como fico bem mais agradado quando eles não concordam com medidas governamentais!...

sexta-feira, 26 de março de 2010

Momento de poesia....

... e de cultura :)))

A PILITA ALENTEJANA

Rija, enquanto durou.
Agora q'amolengou
e antes q'a morda a cobra,
Vou atá-la c'uma corda
Pra ela nã me fugiri.
Preciso da sacudiri,
Leva tempo pá'cordari
Já nem se sabe esticari.

Más lenta q'um caracoli,
Enrola-se-me no lençoli.
Ninguém a tira dali,
Já só dá em preguiçari.
Nada a faz alevantari
E já nã dá com o monti,
Nem água bebe na fonti.

Que bich'é que lhe mordeu?
Parece defunta, morreu.
Deu-lhe p'ra enjoari,
Nem lh'apetece cheirari.
Jovem, metia inveja.
Com más gás q'uma cerveja,
Sempre pronta p'ra brincari.
Cu diga a minha Maria,
Era de nôte e de dia.

Até as mulheres da vila,
Marcavam lugar na fila,
P'ra eu lha poder mostrari !
Uma moura a trabalhari,
Motivo do mê orgulho.
Fazia cá um barulho !
Entrava pelos quintais,
Inté espantava os animais.

Eram duas, três e quatro,
Da cozinha até ao quarto
E até debaixo da cama.
Esta bicha tinha fama.
Punha tudo em alvoroço,
Desde o mê tempo de moço.
A idade nã perdoa,
Acabô-se a vida boa !

Depois de tanto caçari,
Já merece descansari.
Contava já mê avô:
"Niuma rata lhe escapou !"
É o sangui das gerações. Mas nada de confusões,

Pois esta estória aqui escrita, é da minha gata, a Pilita !