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Navegue....e mergulhe, está num rio de águas límpidas!
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Quando o pobre desconfia.... dos "leais conselheiros"...
Nem aquele "mister" tão afável e bom conselheiro me convencem, a mim e creio que à maioria dos portugueses, da necessidade de aumentar impostos, sem que o Governo se proponha, desde já, acabar com Institutos inócuos, Fundações de objectivos duvidosos, Governos Civis de penacho, TGV's , desperdícios e mordomias!
As instituições do Estado, em democracia, não existem para se sustentarem com gula à custa dos cidadãos, mas para lhes proporcionarem melhores condições de vida.
domingo, 26 de setembro de 2010
Um simples aperto de mão...
... ou uma "palavra de honra" valiam por um notário e legião de testemunhas.Era o tempo da honra, da verticalidade, da Gente com vergonha.
Os tempos mudaram, esfumaram-se, na voracidade dos anos, os valores mais sólidos das relações humanas.
Hoje, salvaguardadas as excepções e a teimosia dos que ainda os preservam como seus, a Sociedade está dominada pela vigarice, pelo chico-espertismo, pela desavergonhada mentira.
São os tempos da propaganda, do negócio fútil da imagem, em que os honestos, os amigos da Verdade, acabam sempre perdedores.
Até ao dia em que, em putrefacção, a Sociedade de redima e renasça dos seus próprios e erráticos caminhos!...
Estarei a ser alarmista, exagerado na análise? Provavelmente, não: já por cá
ando o tempo suficiente para saber que, neste contexto de seriedade ou falta dela, vivi em dois mundos...
Enquanto o ouro, a prata e outros "vis" metais se vão valorizando, perdem cotação a Honestidade, a Honra, a Verdade.....e outros valores.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
A verdadeira SÚMULA|
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Os Águias de Alpiarça

Desde os anos cinquenta que ouço referências aos Águias de Alpiarça, como equipa de Ciclismo com pergaminhos nas provas nacionais e internacionais.
Desde os idos tempos de Manuel Simões, aquele que terá sido o seu primeiro ciclista.
Uma foto de 1960, da Família Reis, é bem evocativa dos anos de glória e amor à modalidade daquela antiga instituição desportiva.
domingo, 5 de setembro de 2010
O Hotel das lamentações

Como nota prévia, terei que expressar, de há muito, desde jovem, e por genuína convicção, preferir um culpado em liberdade a um inocente aprisionado.
Ademais, sem que alguma vez, nestas seis décadas de vida, haja sido sujeito a qualquer veredicto judicial, nunca esqueci algumas arbitrariedades, decisões unilaterais, sem que, naqueles anos de juventude e alguma rebeldia, me fosse conferido o direito de defesa. Instituições integradas no espírito do "Quero, Posso e Mando", tão caro ao Estado Novo, não se coibiam de estigmatizar jovens, mesmo por factos que, só por si, entendiam imputar-lhes, sem que lhes conferissem qualquer direito de se defenderem.
É, também, por isso e por experiências de vida longa, que me inibo de carimbar nos condenados pelo veredicto do Tribunal que julgou o Processo da Casa Pia com o rótulo de "CULPADOS".
Por mais forte que seja a minha convicção pessoal de que o Tribunal se terá apoiado em factos provados e que, para além das vítimas, não haverão inocentes neste moroso e escabroso processo.
O que não aceito, enquanto conhecedor dos direitos e deveres de qualquer cidadão, e repudio com veemência, foi a forma raivosa como Carlos Cruz e outros acusados, secundados por alguns dos seus defensores, contestaram a decisão do Tribunal, do Colectivo, que os julgou.
Conferências de Imprensa em Hotel, peregrinações ao minuto pelos mais mediáticos canais televisivos, vertendo insidias contra as instâncias judiciais, invocando o direito à indignação, enquanto as apodavam, insinuavam, ou comparavam com incompetentes, ignomínia, Reino das Trevas, Tribunais Plenários e outros epítetos que, afinal, não provam nada da sua apregoada inocência, mais parece não ter sido do que uma tentativa desesperada de depreciar, ainda mais, a nossa Justiça.
E a sensação com que fiquei foi de que os condenados em Primeira Instância mais não procuraram com estas acções mediáticas pré-programadas - só acessíveis a réus ricos ou poderosos -, do que iludir a opinião pública, entorpecendo-a e preparando terreno fértil para o que se vai seguir, por força dos seus recursos para a Relação.
Tribunal da Relação que, para além das questões de Direito, apreciará as questões de Facto, razão mais do que suficiente para que os ora condenados sintam, ao contrário do que gritaram naquele folclore mediático, conferido o seu direito constitucional, já que do de defesa foi sobejamente auferido durante todos estes longos anos de incidentes de recusa, impedimentos, repetição de exames, requerimentos e recursos de toda a ordem, em quantidade jamais vista no histórico judicial, da lavra dos seus reputados assistentes.
O que me leva a pensar -e não serei só eu -, que tais manobras mediáticas poderão ser encaradas como acções destinadas a pressionar o Tribunal da Relação, o mesmo que, recorde-mo-nos, decidiu, já lá vão alguns anos, e neste mesmo processo de Pedofilia, pela libertação de Paulo Pedroso.
Pressões que, se for o caso, espero não surtam efeito, e que a Justiça seja feita sem amarras ou condicionalismos externos, para sua própria reabilitação aos olhos dos portugueses.
Acabo como comecei: Liberdade para os inocentes, prisão para os culpados!
E que, sobretudo, se respeitem os Tribunais e que ninguém esteja acima da Lei!
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Morreu a fazer o que mais gostava....

domingo, 22 de agosto de 2010
O Glutão Insaciável

quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Definham os campos, engordam as madrassas....e os madraços.
A Região de Lafões não passou incólume a este "tufão" destruidor....
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Optimistas, enganem-me que eu gosto!
Já havia decidido ( e vou manter, no essencial) não abordar a temática dos incêndios, sem que esteja ultrapassado o período negro que nos tem consumido as florestas. Essa intenção prende-se com o facto de entender que não é a quente, em plena luta , o momento adequado para se debaterem questões desta natureza.
O mesmo entendimento não teve o Senhor Ministro da tutela. Rui Pereira que, mal-grado a calamidade que ia galopando em ritmo atrozmente acelerado, sobretudo no Norte e Centro do País, foi sendo credor de compreensão pela forma decidida e presencial como ia acompanhando os casos mais difíceis, quebrando o relativo estado de graça quando decidiu tocar a vuvuzela do optimismo e do positivismo, tão caros ao partido que o sustenta no Governo!
Proclamar “positiva” a forma como se processou o combate aos incêndios, ainda que reconheçamos o esforço, o denodo, dos soldados da Paz, não tanto pelos meios postos à sua disposição, proclamar, quase em tom de vitória, que a área ardida é inferior à que foi pasto das chamas em 2003 e 2005, quando ainda ardem vastas áreas de floresta, quando os populares lutam, sem descanso, na defesa de suas casas, é uma proclamação pouco séria, com fins politiqueiros, um insulto para todos aqueles que ainda pelejam na refrega dos fogos, para todos os que viram os seus haveres reduzidos a cinzas e para os cidadãos que ainda se se vão condoendo e preocupando com a destruição do seu País.
Não andou bem o Senhor Ministro. Não se levantam troféus de optimismo nestas situações. Não há desgraças positivas!
Como não andou bem o Senhor Primeiro, e as suas habituais câmaras de ressonância, quando nos aparece sorridente e de ar feliz, anunciando ter sido positivo o facto do número de desempregados não ter aumentado no segundo trimestre deste ano. Por continuar em carteira com 589.800 desempregados (segundo os dados do INE), desprezando, como politicamente convinha, o facto de, relativamente a igual período do ano transacto, serem mais 80.000 sem emprego! Considerar estes números uma “boa notícia” só pode ser mais um miserável golpe de propaganda. À custa dos que vão ass
istindo ao resvalar para o abismo dum Povo que teve a desdita de lhe dar caução.
É mais um optimista. Mais um dotado, que, por artes mágicas, não faz vinho da água, mas transforma as derrotas trágicas em vitórias retumbantes.
Afinal, bem à imagem do treinador do clube da minha simpatia que, tendo nome de salvador, após a real derrota com a Briosa, foi lesto em falar de ter dominado e massacrado a equipa adversária.
Estes homens, malabaristas da palavra, são uns optimistas, uns positivistas. Que todos os outros, os que nos falam verdade, com os pés na terra e sem asas de anjos mentirosos, são uns negativistas!
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Papagaio louro, de bico.....

Um pintura digital do Jaime Alves, trabalhada a partir de foto de sua autoria, no Paraguay. Na sua nota, esclarece-nos que se trata duma "Amazona aestiva" ou "loro ablador". Na familia destas aves (Psittacidae), a espécie retratada é a que tem mais capacidade/virtuosismo vocal para imitar vozes humanas, cantos de outras aves ou mesmo o ladrar dum cão.
Sem desvirtuar o belo trabalho daquele meu amigo, muito menos dos seus profundos conhecimentos desta temática, a crer nas capacidades desta ave, fico, para além de grato ao Jaime Alves, a interrogar-me se a espécie nâo estará a ser objecto de reprodução intensiva no nosso País, tantos são os papagaios no poleiro que nos vão iludindo com o seu canoro canto!
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
O Estado é quem manda em nós...
Quando da calamidade que atingiu a Madeira, rotulei de miseráveis as acusações que algumas figuras da Ilha e do Continente, se apressaram a tecer às autoridades daquela Região Autónoma. Por precipitadas, produzidas quando as cheias ainda destruíam bens e pessoas, considerei-as de aproveitamento político, oportunismo populista.
Pelos mesmos princípios, não vou, por agora, brandir a espada contra bodes expiatórios, nem tecer considerações a propósito do fogo que, desde há quatro dias, vem destruindo um dos maiores pulmões das terras lafonenses.
Será a frio, no rescaldo do pesadelo que terão de ser discutidas as causas, os meios empenhados e os efeitos daquela catástrofe que cobriu de fumo e pesar o Concelho de São Pedro do Sul, aquela cidade que muitos consideram ser a Sintra da Beira.
Mas não posso deixar de registar o genuíno desabafo de um popular, residente numa das aldeias em perigo, que defendeu das chamas a sua habitação e se lamentou para um canal televisivo:
- Eu limpei, como limpo todos os anos, o meu terreno à volta da casa. Mas o Estado não limpou a floresta que é sua propriedade, aqui em volta. O Estado é que manda em nós, não somos nós que mandamos no Estado!...
Apenas um pequeno comentário: O mal passa por aí: nós, o povo, não mandamos no Estado!
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
A cidade da Beira, Moçambique
A exemplo do Grande Hotel, que já foi a Jóia da Coroa do turismo beirense, a segunda cidade de Moçambique apresenta as suas estruturas algo degradadas. Fruto amargo duma guerra civil que se prolongou para lá do concebível. Mas a recuperação e o progresso são possíveis, ora que se vive em Paz e se procuram os caminhos para o desenvolvimento.
Ademais, o encanto continua lá...
sexta-feira, 30 de julho de 2010
COMUNICAÇÃO AO PAÍS
APROVEITEM A VIDA...

… e ajudem-se uns aos outros!
Foi uma das últimas frases de António Feio, quando já se desligavam no corpo os últimos fios de vida.
António Feio nasceu em Lourenço Marques, actual Maputo, Moçambique, em 6 de Dezembro de 1954. Popular actor de Teatro, onde se destacou pelo seu humor e profissionalismo, viria a ser, já no período em que lutava contra a implacável doença , condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique.
Para além da sua coragem e força admiráveis, de que nos deu exemplo no último ano e meio, apagaram-se para este grande homem e artista, que nos dizia que o Teatro era uma festa, as últimas luzes da ribalta, nos seus 55 anos de vida.
Deixa-nos, para além da admiração que soube conquistar no seu vasto público, frases que bem merecem ficarem vivas e reflectidas por quantos o admiravam:
“A vida é uma passagem muito rápida. Há que aproveitar bem o tempo”
“Aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros”
“Não deixem nada por dizer nem nada por fazer”
Deixou um desejo por cumprir, levar os seus filhos a Moçambique, a terra em que nasceu .
Que repouse em Paz!
quarta-feira, 28 de julho de 2010
A Geração esquecida!

denso e forte como a paixão,
cheira a catinga e a feitiçaria,
a queimadas vermelhas na escuridão.
O mato é um céu aberto,
uma prisão com canos escondidos,
o limite de quem não se sente liberto,
um poema de gritos e gemidos.
O mato é música e sensualidade,
negra desnudada num banho de sol,
cabelo enrolado como um caracol,
a gritar e a correr em liberdade.
O mato é o medo que se escapa pelos trilhos,
a desconfiança aos camuflados que chegam,
a fera com cio vagueando desvairada,
suor da arte maconde ainda não prostituída,
O mato é o silêncio duma espera
a angústia sofredora de quem desespera,
tiroteio rasgando em carne viva.
O mato é a castanha de cajú,
água do coco e papaias do desejo,
caçadas de reis sem roque e sem reino,
armas em brasa na guerra sem leis.
E em África jovens se gastaram,
em tempo dobrado esperaram,
que não fosse preciso matar e morrer
para que os homens se entendessem.
Choravam pelos filhos que nasciam
pelos amigos que morriam,
e eles matando e sobrevivendo
e eles ferindo-se e morrendo.
Tinham na Alemanha próteses à espera,
na pele o sol e a chuva,
na alma uma fartura de mato,
nas mãos o cheiro do capim,
nos dedos os calos do gatilho,
nos olhos a lonjura da savana,
na saudade a viagem do regresso,
no coração a surpresa da cilada,
nos ouvidos os assobios das balas,
em Alcoitão cadeiras de rodas,
em Artilharia Um o desalento triste,
nos cemitérios valas já prontas,
nos pés arrastavam o cansaço,
no pensamento silenciavam PORQUÊ?
no corpo o desejo de amar da idade,
conforme o sorriso dos lábios e a vontade
de abraçar a mulher tão longe, tão distante.
Geração esquecida pelo antigo mando,
silenciada pelo novo mando,
por todos os mandos imprestáveis,
por todos os mandos sem orgulho,
sem raiva e sem mãos limpas.
Continuaremos a ser a geração
Sem diamantes nos dedos
e sem presas na arrecadação.
- M. Nogueira Borges*, Porto. Escrito em junho de 1978.
*Manuel Coutinho Nogueira Borges é escritor nascido no Douro - Peso da Régua. Pode ler também os textos deste autor nos blogues ForEver PEMBA (http://foreverpemba.blogsp
terça-feira, 27 de julho de 2010
Um conto antigo - FLORESTA DE SANGUE
NOTA PRÉVIA
Escrevi este “conto” em Setembro de 1975.
O reduzido afastamento temporal dos factos narrados implicou um reviver de situações que passaram ao papel como quadro fresco, com as pinceladas de ficção mínimas. Admito mesmo que Hoje, este conto teria outros cambiantes, ou não passaria mesmo da memória do autor.
Sem qualquer pretensão literária, reproduzo-o agora, em humilde dedicatória e com o pensamento nos que, de alguma forma, viveram ou se revêem nas situações narradas, em especial naqueles a quem a má fortuna não permitiu lerem estas linhas.... (Falta, apenas,pedir desculpa por algumas gralhas e pela pouco cuidada configuração do texto)
FLORESTA DE SANGUE
1971. Moçambique/Norte. Manhã de cacimbo fresco. Folhas de cajueiro velho, perdido na mata, choram gotas de orvalho na picada estreita de matope enrijecido pelas tardes quentes. Perto, aves sinistras lançam, a espaços, silvos irritantes por entre centenários embondeiros.
Nada mais se ouvia ao redor. A noite acabava fria, silenciosa e calma, não fora uma gazela atrevida infiltrar-se, em desenfreada correria, cortando o círculo, por entre as três dezenas de fardas negras que, em alvoroço, viram o seu fraco repouso interrompido, num bater de coração mais forte, num aperrar de armas tão nervoso quanto inesperado.
Era um novo dia que rompia, um novo dia que até nem contava. Era só mais uma data, apenas, para rapazes já homens, a quem o dever não permitia calendário de vida. O de morte também podia servir para a contagem indiferente de uma manhã que surge numa floresta sem horizonte.
O Comando havia sido claro na ordem que transmitira. Aquele grupo de homens, fracção duma força de combate estacionada algures no Norte de Moçambique, teria por missão interceptar um grupo inimigo, fortemente armado, que dias antes atacara e saqueara um aldeamento de nativos. O resto era com eles. A zona conheciam-na bem, os perigos não contavam e o medo não era o melhor conselheiro para quem queria conservar a “pele” naquela guerra traiçoeira onde, por vezes, era imperioso “dar” primeiro.
O alferes Carrilho que, com dois furriéis e enfermeiro eram os únicos europeus entre homens de rostos bronzeados, nados junto ao Índico, dava as últimas instruções ao grupo, antes da partida para o terceiro dia de marcha. Os sacos de campanha, acomodados sobre as fardas húmidas e sujas, haviam já sido aliviados de algumas latas de conserva de porco, gordurosas, que só o negro Manjate, fruto recente das Missões cristãs, comia. Os outros, por Alá, nem cheirá-las...
Mais leves, olhos já lavados no orvalho do capim alto, em fila espaçada, aproximavam-se já dum trilho batido, detectado na véspera pelo pisteiro Capoca, um recuperado à Frelimo, a que nada escapava. Por isso, lhe chamavam “o Perdigueiro”.
Ali mesmo fora decidido montar a emboscada. O inimigo, com o saque e elementos da população raptados, poderia escolher aquele itinerário para a retirada mais para norte, para recônditos e mais seguros refúgios, em região onde se pensava estar implantada a Base Manica.
E, quando os cortantes raios de sol tropical já rasgavam as copas frondosas do arvoredo, os homens de negro, espalhados por entre os arbustos, aguardavam silenciosos. Esperavam na incerteza....mas esperavam. Afinal, aquela até era uma guerra de espera.....espera de um final que tardava em acontecer e o último capítulo daquela rude aventura de anos era uma assustadora incógnita....
O silêncio doía muito! Aquele “silêncio” era duro! Via-se no rosto do comandante. Ele próprio preferia gritar bem alto. Ouvir o eco da sua voz lançado pelos rochedos soltos.
Queria gritar que não queria a guerra, mas que não tinha medo. Talvez para assustar esse mesmo medo. Queria não pensar em nada, automatizar-se, mas aquele marasmo de silêncio, que já durava horas, punha-lhe o cérebro mais desafinado que a barulhenta fanfarra do Batalhão.
Nada mais aconteceu naquele dia que desse outra cor àquele quadro vivo de corações enervados.
Com o cair da tarde, o alferes incumbe o Ferreirinha, um baixinho furriel europeu, quase no fim da comissão, da retirada para pernoita. Impunham-se cuidados especiais neste “mudar de sítio”: o local onde haviam pernoitado na véspora não servia. Nem em tal pensar! “Por o periquito nunca mudar de ninho é que lhe roubam os filhos”, dizia o Ubisse, um homenzarrão negro que não largava a metralhadora mais pesada do quartel.
E foi afastado da zona, o novo local de pernoita que, afinal, não era diferente: as mesmas árvores, o mesmo pouco céu, a mesma terra seca, os mesmos pássaros e, até, os mesmos semblantes sofridos do pessoal.
- Meu alferes, isto já não dá nada! Quase não há ração, a água é pouca e os “turras” já passaram por outro lado!
Este era o estribilho do enfermeiro Correia, um dos poucos europeus do grupo. Estribilho que, mais uma vez, ensaiou aos ouvidos do Carrilho, já habituados aos alvitres conselheiros do cola-adesivos lá da malta.
E, quando o alferes lhe retorquiu não se poder retirar sem a certeza de que o inimigo havia passado para norte, lá foi o Correia, coçando o barrete salpicado de mercúrio, embrulhar-se por entre as ligaduras e bebericar a água a que ele, para desinfectar, dizia, juntava álcool. Só que o mordaz Sacura afiançava que o Posto de Socorros estava quase todo na barriga do Correia!....
nova espera. De novo o silêncio, de novo a quietude ansiosa de outra emboscada junto
ao trilho adversário.
- - Isto é demais, meu alferes! Que se lixem os turras! Já nem água tenho,- quando é que
is isto acaba? –sussurrava interrogativo o furriel Bazuca, um - minhoto novato, dois meses
a antes largado pelo Niassa naquelas longínquas paragens.
- - Estabelece ligação rádio com o Comando, que eu quero falar com os gajos! – balbuciou o Carrilho, também já preocupado com aquela situação nada agradável.
E foi de abatimento o encolher de ombros agitado e discordante do grupo, quando se
espalhou a resposta do oficial de operações.
- Porra, mas quando é que a malta atinge o Rio Montepuez? Em vez de irmos para o Messalo onde eles se acoitam, vamos para sul? E se
não encontrarmos água até lá? E o que vamos comer amanhã se a ração está a acabar?
Ninguém respondeu ao Correia, de novo a espalhar pessimismo, qual Velho do Restelo
das selvas africanas.
a qualquer dúvida ou rezinguice do pessoal. E, bem no íntimo, eles tinham a noção disso, mas aquelas “bocas” descontraíam e davam as energias que iam faltando.
Estava prometido o abastecimento hélio para a tarde do outro dia. Viriam mais umas
caixas de alimentação pré fabricada.... A água, só por sorte se encontraria, a não ser
quando atingissem o rio, para sul, razoavelmente caudaloso e onde, na anterior operação, o
Capoca havia colhido um bom Kg de camarão. Ricos rios que até camarão davam!
A malta até se imaginava os balcões da Portugália.....
A progressão era lenta, por perigosa.
Por vezes, a indicação do “cinco” da frente,
periodicamente rendido, o grupo abria em linha,
metade para cada lado do trilho
inimigo que seguiam, não fosse uma rajadas
traiçoeiras, por detrás de um tufo de
vegetação mais denso ou de uns rochedos
soltos, surpreendê-los. Para triste e doloroso exemplo
chegara o que, dias antes,
acontecera ao alferes Marques, um jovem quase formado em Medicina,
que se vira privado da perna direita, quase esfacelada.
Este tipo de avanço era difícil, mas necessário, e retardava um pouco o andamento que,
em tais circunstâncias, não chegava aos dois Km por hora.
Eram já duas da tarde. O sol, na vertical, jorrava vagas de calor inclemente sobre os corpos
suados. O Ferreirinha largava imprecações minuto a minuto, quando uma aborrecida
micose lhe ardia ao roçar as calças de caqui.....e o sacana do Correia só levava mixórdias...
.acusava o furriel.
De repente, tudo pára. Num movimento sincronizado, qual grupo de bailado rítmico em
estreia no Olímpia, todos se deitam, sem ruído, indicador a tremelicar, hesitante, junto ao
gatilho. Mas não soaram tiros. O passa-palavra chegou depressa aos últimos homens que, já levantados, sorriam: uma jibóia, que mais parecia o tronco de uma umbila, atravessara-se
no trilho, pachorrenta e indiferente a tantas espingardas.
E foi nessa paragem que o alferes caiu num daqueles erros negligente, ele que não costumava facilitar em questões de segurança. Quando num trabalho de nomadização, em que se andava pelo mato em busca de indícios que levassem ao encontro do inimigo, mas ainda se não seguia qualquer pista, era natural que em qualquer lado se fechasse o circulo para a refeição. Não era este o caso, pois seguia-se um trilho que os guerrilheiros utilizavam. E a norma seria deixar metade da força emboscada junto àquele, enquanto o resto se afastava uma meia centena de metros. Passados uns dez ou quinze minutos, tempo suficiente para tragar umas sardinhas em azeite e umas quantas duras bolachas, haveria a troca do pessoal.
- Eu sabia que ela estava aqui, meu alferes! O gajo deve ir ferido, porque eu atirei-lhe
- O artista vai mesmo ferido, - dizia o ferreirinha, ao inspeccionar a semi-automática com umas gotas de sangue ainda fresco, ao longo da bandoleira de caqui.
- E porquê tanta demora a responderem? - interrogou o Carrilho, fitando o velho cabo negro, que fora caçador de elefantes lá para as serras do Niassa.
Não houveram baixas nos fardas pretas. Apenas uma camisa furada e um ligeiro arranhão nas costas do Amisse, onde o Correia já colocara mais um adesivo.
Para o Carrilho, que não deixando de respeitar, no essencial, as ordens que recebia, valia bem mais o seu objectivo pessoal e o melhor que se podia conseguir daquela missão era subtrair do controlo do inimigo os elementos da população por ele raptados no aldeamento e que, segundo indicação rádio, rondavam as 20 pessoas. Ele sabia que aquela gente não ia de vontade. Conhecia bem a realidade macua. Se fosse da sua vontade, oportunidades para se juntarem aos guerrilheiros da Frelimo não lhes faltavam, atendendo ao isolamento da aldeia, onde se dedicavam ao cultivo de produtos para sua subsistência e de rendimento, como o algodão e o caju. Os macuas eram pacíficos, queriam paz e não se deixavam aliciar pelos insistentes convites dos “mabandidos”, como então chamavam aos guerrilheiros.
No emaranhado de sentimentos que assaltavam os seus camaradas, ainda não viera à superfície a dor profunda que os dominou, largo tempo, no perder dum companheiro de armas....
Aproximavam-se. Um pouco acima, um barulhento T6 dava-lhes protecção.
A muito custo, depois de lhes lançar o ultimato de que pediria para abandonar o G.E. logo que chegassem ao Quartel, caso a recusa de transportar o “turra” ferido, lá o foram carregando, contrariados e vociferando impropérios contra o frelimo que, afinal, era tão só mais uma vítima de guerra, de que pouca culpa também teria. E que, mais do que trazer no peito a ânsia de independência, mais não era do que um joguete de interesses internacionalistas e dos jogos de poder de altas potências.
FIM.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Os intocáveis patifes

segunda-feira, 19 de julho de 2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
O Dia do Filho da P

domingo, 11 de julho de 2010
Jornadas "Para Lamentares"
Fiquei com alguma expectativa quando soube que o PS ia reunir as suas altas figuras do aparelho da rosa e deputados, para um encontro a que deram o nome de "Jornadas Parlamentares".Eu quero aplaudir....
.... o Senhor Ministro da Administração Interna, o homem que superintende, para lá de outras Instituições, nas Polícias e nos Bombeiros, por saber da sua participação, hoje, numa corrida contra a violência e que o fez percorrer, em marcha acelerada, os seis Km que separam o Bairro da Quinta da Fonte de Sacavém!
enhor M.A.I. estiver disposto a marchar umas centenas de Km, até às serranias das Beiras, para socorrer doentes e apagar fogos em Castro Daire, onde as viaturas dos bombeiros estão com os depósitos secos por falta de verba para o combustível, esgotados que estão os contributos camarários e da população local que, com sacrifícios, têm sustentado aquela Corporação de Soldados da Paz...sábado, 10 de julho de 2010
As sondagens da raiva






