Os portugueses não têm emenda.
Continuam a pejar os passeios de beatas de cigarro!
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Navegue....e mergulhe, está num rio de águas límpidas!
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terça-feira, 27 de agosto de 2019
segunda-feira, 26 de agosto de 2019
domingo, 25 de agosto de 2019
PULMÃO ESQUERDO
E, aqueles que nunca se importaram com o pulmão que era o Pinhal de Leiria, o Pinhal Interior, a Serra do Caramulo, a de Monchique e tantos outros alvéolos ao pé da porta, porque sempre preferiram respirar o ar das bufas do Lula, da Dilma, da fossa do Maduro,do esgoto do Morales, das penicadas de Cuba, e, agora, se fingem preocupados com o pulmão da Amazónia?!

DA BOSTA ÀS VACAS VOADORAS
Um post de amigo numa Página vizinha, despertou-me o registo e fez-me recuar quase uma meia dúzia de décadas e transportar-me no comboio do tempo, à tela da minha infância, vivida, quase ininterruptamente, até aos 9/10 anos em ambiente rural, em região que, maioritariamente, fazia da actividade agrícola o seu modo de vida e o pão do seu sustento. Podia traçar-vos todos os cambiantes dum cenário campestre, enaltecer a mais valia da vida em comunhão com a Natureza, ainda não ferida de morte, na pujança vivificadora do ar que se respirava, da água cristalina que brotava em abundância das encostas verdejantes, também dos sacrifícios dos que dedicavam a vida ao amanho dos campos, mas é, tão só, duma prática a que assistia na aldeia onde me foi dada vida, que vos trago testemunho.
Por aquele tempo, ainda não haviam aqueles cacos velhos com que os "solidários" camaradas de Leste, limparam os seus excedentes de ferro velho, a seguir à "Revolução", muito menos, os comprados com os subsídios da CEE, pagos com as vinhas que se destruíram, com os barcos que se abateram, com o abandono dos campos. Eram os animais de tracção, puxados a feno e a aguilhada e a muitos berros, quem rasgava a terra, a preparava para as sementeiras e transportava as colheitas para os minguados celeiros. No fim do dia, por norma, já depois do sol se esconder pelas serranias fronteiriças, na rua principal da aldeia, onde tinha pouso e folguedos, era o regresso das vacas aos currais, atapetados a tojos e giestas, numa imagem que me sugere (sem generalizar) um desfile de "beldades" pelas artérias do Intendente alfacinha. Nesse trajecto, iam-se libertando, através do canal vizinho do enxota-moscas , dos despojos de pança cheia nos lameiros donde regressavam. Era, então, que via algumas das mulheres da aldeia, atarefadas nas lides caseiras, que complementavam os trabalhos dos seus homens, no campo, a recolherem os dejectos das "Cabanas", das "Mouriscas", das "Castanhas", para um recipiente. E, desengane-se quem pensar que havia nessa recolha um propósito sanitário de limpeza das ruas. Nada disso. Outro destino estava marcado para a "bosta" dos animais.
Conforme já se abordou por aqui, a broa de milho, era o pão mais consumido naqueles lugares e a cozedura em fornos rústicos, de tijolo e argila, com um chão granítico, aquecido com lenha do "molho" recolhido pelas matas e pinhais, onde, até por isso, os incêndios rareavam. A porta do forno, muito artesanal, nunca, no próprio dizer das padeiras caseiras, "estancava bem". Era aqui que a "bosta" recolhida da rua, exercia a sua função: depois da massa do pão introduzida no forno incandescente, qual argamassa ou betume, era disposta ao longo das frestas da porta, para impedir que o calor se libertasse.
No fim, saíam as broas, rodas gigantes que eram o pão para quase toda a semana, por entre a bosta ressequida, já sem aquele aspecto lamacento e pouco atractivo, e, quanto ao cheiro, esse, já era só aquele agradável aroma do pão cozido....a pedir companhia duns nacos de presunto, a juntar à bola espalmada, de sardinha ou de chouriço ou toucinho que havia acompanhado as broas, na cozedura. E, a inevitável malga de morangueiro, a espumar tinta!....
Não ofereço. Já sei que ninguém é servido de pão que teve por vizinhança algo que terá eternamente o estigma de .......mavi!
;)
Mas, desengane-se quem pensar que aquele não era o pão de Deus. Que o que o diabo amassou, é o confeccionado na Padaria Nacional que vamos vivendo!.....
E, onde até as vacas já são voadoras!
Por aquele tempo, ainda não haviam aqueles cacos velhos com que os "solidários" camaradas de Leste, limparam os seus excedentes de ferro velho, a seguir à "Revolução", muito menos, os comprados com os subsídios da CEE, pagos com as vinhas que se destruíram, com os barcos que se abateram, com o abandono dos campos. Eram os animais de tracção, puxados a feno e a aguilhada e a muitos berros, quem rasgava a terra, a preparava para as sementeiras e transportava as colheitas para os minguados celeiros. No fim do dia, por norma, já depois do sol se esconder pelas serranias fronteiriças, na rua principal da aldeia, onde tinha pouso e folguedos, era o regresso das vacas aos currais, atapetados a tojos e giestas, numa imagem que me sugere (sem generalizar) um desfile de "beldades" pelas artérias do Intendente alfacinha. Nesse trajecto, iam-se libertando, através do canal vizinho do enxota-moscas , dos despojos de pança cheia nos lameiros donde regressavam. Era, então, que via algumas das mulheres da aldeia, atarefadas nas lides caseiras, que complementavam os trabalhos dos seus homens, no campo, a recolherem os dejectos das "Cabanas", das "Mouriscas", das "Castanhas", para um recipiente. E, desengane-se quem pensar que havia nessa recolha um propósito sanitário de limpeza das ruas. Nada disso. Outro destino estava marcado para a "bosta" dos animais.
Conforme já se abordou por aqui, a broa de milho, era o pão mais consumido naqueles lugares e a cozedura em fornos rústicos, de tijolo e argila, com um chão granítico, aquecido com lenha do "molho" recolhido pelas matas e pinhais, onde, até por isso, os incêndios rareavam. A porta do forno, muito artesanal, nunca, no próprio dizer das padeiras caseiras, "estancava bem". Era aqui que a "bosta" recolhida da rua, exercia a sua função: depois da massa do pão introduzida no forno incandescente, qual argamassa ou betume, era disposta ao longo das frestas da porta, para impedir que o calor se libertasse.
No fim, saíam as broas, rodas gigantes que eram o pão para quase toda a semana, por entre a bosta ressequida, já sem aquele aspecto lamacento e pouco atractivo, e, quanto ao cheiro, esse, já era só aquele agradável aroma do pão cozido....a pedir companhia duns nacos de presunto, a juntar à bola espalmada, de sardinha ou de chouriço ou toucinho que havia acompanhado as broas, na cozedura. E, a inevitável malga de morangueiro, a espumar tinta!....
Não ofereço. Já sei que ninguém é servido de pão que teve por vizinhança algo que terá eternamente o estigma de .......mavi!
Mas, desengane-se quem pensar que aquele não era o pão de Deus. Que o que o diabo amassou, é o confeccionado na Padaria Nacional que vamos vivendo!.....
E, onde até as vacas já são voadoras!
terça-feira, 20 de agosto de 2019
VOTEM EM MIM!
Esta promoção só é válida até Outubro de 2019!
PROMOÇÕES! NÃO PERCAM!
Façam-me PM e eu prometo-vos uma viagem a Marte, Cinema Patê à borla para todos, Concertos grátis, enchidos de porco preto, leite de figo para as verrugas, mel de abigouro para os artelhos, uma Quinta com cabras gregas, massagens tailandesas uma vez por semana, a remissão dos vossos pecados e uma árvore das patacas para o vosso quintal. E, ainda, uma vala funda para os que acreditam enterrarem a ingenuidade!
O MENTIROSO
O MENTIROSO
domingo, 18 de agosto de 2019
terça-feira, 13 de agosto de 2019
DESABAFO GREVISTA
Opiniões, de uma das partes do conflito. Da outra parte, não me dou ao trabalho de publicar, pois basta ligar o televisor e são 24 horas de opiniões e Voz do Dono!
domingo, 11 de agosto de 2019
quinta-feira, 8 de agosto de 2019
BALNEÁRIO ROMANO
Mesmo com alguns condimentos laterais, típicos do desenrascanço à portuguesa, importa é que, finalmente, se recuperou um pedaço de História.
Estão de parabéns os sampedrenses e todos os que se empenharam para que a obra, esperada à décadas, tivesse o seu epílogo feliz!
A visitar!
quarta-feira, 7 de agosto de 2019
GREVE DOS CAMIONISTAS
Já disse por aqui que não vejo, nos motivos invocados para a greve dos camionistas, fundamentação bastante. Como não vi, no Passado em dezenas de greves, algumas conhecidas mesmo por " selvagens". O que noto, agora, é a diferença de reacção e a forma como se responde ao aviso de greve. Caso inédito, o das providências cautelares, penso que ancoradas nas declarações de responsáveis do governo, que chegaram ao desplante de invocar a revolta do Povo contra os camionistas. O que, em partidos que, no tempo de governos de outras colorações, não só as promoviam, através dos seus braços sindicais, como as apoiavam com toda a energia, não deixa de provocar espanto.
E, fico por aqui a pensar, que, no espectro dos transportes, como noutros, greves boas só o são as despoletadas e comandadas pelos sindicatos agregados aos partidos desta Esquerda que vai tomando conta do País e capturando a liberdade que não seja a sua!
Quem neste País não penou já por efeitos das greves? Dizer-se, agora, que é ilegal porque fere os direitos do povo é de uma demagogia atroz e deixa, às escâncaras, o cinismo das esferas do poder....político e económico!
E, fico por aqui a pensar, que, no espectro dos transportes, como noutros, greves boas só o são as despoletadas e comandadas pelos sindicatos agregados aos partidos desta Esquerda que vai tomando conta do País e capturando a liberdade que não seja a sua!
Quem neste País não penou já por efeitos das greves? Dizer-se, agora, que é ilegal porque fere os direitos do povo é de uma demagogia atroz e deixa, às escâncaras, o cinismo das esferas do poder....político e económico!
sexta-feira, 2 de agosto de 2019
PEDRADA NO CHARCO
Caso raro na maioria dos Canais Televisivos. Que a isenção e a frontalidade (que fogem ao politicamente correcto), andam pelas ruas da Amargura!
quarta-feira, 31 de julho de 2019
A GOLA E A CAMISA TV
Qualquer semelhança é pura coincidência! Será?
Serpenteando pelo Vale do Vouga, o velhinho comboio a vapor foi um marco da minha meninice. Dele guardo ternas e divertidas recordações, algumas bem recheadas de pitorescas aventuras.
Serpenteando pelo Vale do Vouga, o velhinho comboio a vapor foi um marco da minha meninice. Dele guardo ternas e divertidas recordações, algumas bem recheadas de pitorescas aventuras.
Subia a serra, ruidoso e pachorrento, lançando silvos por entre os pinheiros bravos, verdes sentinelas do vale. Sem pressa, ía travando demoradas conversas pelos jardins floridos das estações e apeadeiros que pontuavam no trajecto sinuoso. Bebia, bebia muita água, que a caldeira do vapor era insaciável.
Recordo-o com saudade, quando evoco aqueles tempos de finais dos anos cinquenta, início da década de sessenta, quando ainda jovem predador de pardais desaninhados, saltitava entre as duas ou três carruagens, com os seus peculiares bancos de ripas de madeira, sujos de carvão e fuligem. Mesmo daquele Domingo em que, puto vaidoso, me sentia um janota com a nova camisa de terylene (TV), o último grito da moda jovem da época pós televisão. Debruçado na janela, sorvendo a brisa, as faúlhas incandescentes foram-se depositando na camisa em estreia e o produto final da viagem saldou-se por uma autêntica rede de pesca. Não me lembro, mas devo ter chorado de raiva e desolação!
Bem mais agradáveis eram os frequentes episódios em que, eu e o meu grupo de diários viajantes, em deslocação para O Liceu de Viseu, saltávamos da primeira carruagem do vagaroso comboio em andamento e o retomávamos na última carruagem, contando as peças de fruta colhidas nas quintas que bordejavam a linha. O herói destas surtidas era sempre o que mais frutos ostentasse, mesmo perante as barbas carrancudas do severo "revisor"!....
Já sei, agora, a razão de ter escolhido o nome para o meu Blog. Vouguinha.......eterno Vouguinha....que a voracidade do Progresso tão cedo "nos" levou......
terça-feira, 30 de julho de 2019
segunda-feira, 29 de julho de 2019
sábado, 27 de julho de 2019
GOLAS E GOELAS
Eu considero positiva a campanha de dinamização da ANEPC junto das populações..
Eu considero positivo que hajam sido criados pontos de abrigo para os residentes, em caso de incêndio.
Eu considero positivo que em cada povoação se haja escolhido alguém mais capaz, para orientar os seus vizinhos na retirada para o abrigo.
Eu considero positivo que os proprietários de terrenos em torno dos povoados sejam obrigados a mantê-los limpos.
Eu considero um desleixo imperdoável, que matas nacionais sejam deixadas ao abandono, sem manutenção capaz.
Eu considero desprezo pelos cidadãos deixar bermas e faixas de segurança de estradas públicas com vegetação até ao asfalto:
Eu considero um crime num exercício que ninguém pode entender de dirigentes responsáveis, esbanjar dinheiro em dezenas de milhar de kits de matérias inflamáveis, distribuídas pelas aldeias.
E, como tal, considero que o Ministério Público deveria averiguar, como, quem, para quê, a quem e a que preço aquelas golas e coletes firam adquiridos e distribuídos!
E, que ninguém me venha dizer que o Kit era apenas para sensibilização, a não ser que alguém tivesse a estultice de fazer dos cidadãos parvos ao ponto de irem com as lanternas que dele fazem parte, fazer caçadas aos gambozinos.
Ah, e já agora, tanto EU, tanto Eu, não é nenhuma gola para inflamar o meu umbigo ou massajar o Ego!
Eu considero positivo que hajam sido criados pontos de abrigo para os residentes, em caso de incêndio.
Eu considero positivo que em cada povoação se haja escolhido alguém mais capaz, para orientar os seus vizinhos na retirada para o abrigo.
Eu considero positivo que os proprietários de terrenos em torno dos povoados sejam obrigados a mantê-los limpos.
Eu considero um desleixo imperdoável, que matas nacionais sejam deixadas ao abandono, sem manutenção capaz.
Eu considero desprezo pelos cidadãos deixar bermas e faixas de segurança de estradas públicas com vegetação até ao asfalto:
Eu considero um crime num exercício que ninguém pode entender de dirigentes responsáveis, esbanjar dinheiro em dezenas de milhar de kits de matérias inflamáveis, distribuídas pelas aldeias.
E, como tal, considero que o Ministério Público deveria averiguar, como, quem, para quê, a quem e a que preço aquelas golas e coletes firam adquiridos e distribuídos!
E, que ninguém me venha dizer que o Kit era apenas para sensibilização, a não ser que alguém tivesse a estultice de fazer dos cidadãos parvos ao ponto de irem com as lanternas que dele fazem parte, fazer caçadas aos gambozinos.
Ah, e já agora, tanto EU, tanto Eu, não é nenhuma gola para inflamar o meu umbigo ou massajar o Ego!
quarta-feira, 24 de julho de 2019
sexta-feira, 19 de julho de 2019
PARABÉNS, BV DE VOUZELA
É já amanhã, que esta Centenária Corporação celebra 134 anos ao serviço do Concelho de Vouzela, e não só!
O Vouguinha endereça-lhes os parabéns, felicitando-os e agradecendo-lhes os prestimosos serviços que vêm prestando à sua Comunidade!

Foto "Notícias de Vouzela"
O Vouguinha endereça-lhes os parabéns, felicitando-os e agradecendo-lhes os prestimosos serviços que vêm prestando à sua Comunidade!

Foto "Notícias de Vouzela"
terça-feira, 16 de julho de 2019
REMENDOS
Ao que parece, está a ser "recauchutada" no seu piso, com remendos nos buracos, sem que se recomponha o traçado e as bermas.
Para já, encerrada ao trânsito, numa época de alguma afluência turística e fluxo de emigrantes em férias, impele-nos a questionar porquê só agora, depois de tantos anos em mau estado e apenas para trabalhos menores, sem que que se lhe dê o tratamento requerido, de raiz!Obras do Poucochinho!
segunda-feira, 15 de julho de 2019
segunda-feira, 8 de julho de 2019
NA CADEIRA DO BARBEIRO
Que a Alma do Senhor António continue em Paz, mesmo que sinta vergonha desta geringonça que não nos corta o cabelo, mas faz escalpe à bolsa, à Saúde, à Educação, à Segurança......O MEU BARBEIRO COMUNISTA Naquela época, a aldeia beirã onde nasci e onde, aos 13 anos, passava as férias escolares, em casa dos meus avós paternos, era um amontoado de casas de granito, envelhecidas e humildes, onde pontuavam três ou quatro solares e outras tantas casas de quinta, tudo rodeado de campos verdes, bem tratados e produtivos, onde a maioria dos habitantes mourejavam de sol a sol, para colherem da terra os frutos que eram o único sustento de pão e vestimenta de famílias, quase sempre, numerosas. Terminada que fora a época áurea do estanho e do volfrâmio, inexistentes que eram outras indústrias, que não fosse a padaria da terra, onde muitos compravam pão, em troca de farinha do seu suor, que as moedas escasseavam, era a terra e algum gado que nela apascentavam, os escassos meios de sobrevivência.O destino de muitos jovens e menos jovens, sentindo que a agricultura já lhes não garantia futuro, foram tentando e abrindo horizontes que, para os mais afoitos, se desenhavam para lá das fronteiras e para os outros, a venda dos braços aos campos da orla do Tejo.A Igreja, e a sua Cripta com televisão, a Estação dos Vouguinhas, a loja "vende-tudo", que era, também, a dos Correios, para lá do velho edifício, onde os legionários se exercitavam aos Domingos, eram os pólos de convívio, onde se discutiam os títulos do "Primeiro de Janeiro", onde se falava do tempo, do preço da carne e do peixe, de mais um nascimento ou inesperada partida. E, onde, se selava o negócio uma junta de vacas lavradoras com um simples aperto de mão como sinal e a palavra de honra como adiantamento....Chegado de Lisboa, acabara de desembarcar do comboio-correio um filho da terra a quem, pela capital, o fado aziago havia pregado uma cruel partida, ao decepar-lhe uma das pernas, ao nível do joelho. Homem de meia idade, já algo desenraizado da aldeia onde dera os primeiros passos, se era olhado por alguns com compaixão, outros encaravam-no com desconfiança, por lhe notarem um laconismo pouco habitual naquelas gentes com o coração junto à boca e palradores por natureza. Muitos diziam mesmo que o António falava pouco e, quando abria a boca, ninguém lhe entendia o que, em tom pejorativo, diziam ser "filosofia".Com alguns tostões que amealhara, alugou uma pequena e velha casa, para alojar a família que, entretanto, havia constituído e de cujo elenco fazia já parte um rapazinho de meses. E, para espanto de quem lhe nunca conhecera tal arte, começou a cortar barbas e cabelos, na dependência única da sua moradia.Foi então, que os murmúrios que já perpassavam pelos ouvidos mais curiosos e metediços, formaram onda sonora e passaram a notícia adquirida: o António Barbeiro era comunista! Que ninguém o via na Igreja e que as conversas que desenvolvia com os que lhe confiavam o desbaste dos cabelos, eram a de um perigoso comunista, que regressara à terra para espalhar essa peste ou, até, preparar algum atentado contra a Igreja ou contra o quartel da Legião.Por hábito, o meu corte de cabelo era feito na cidade onde, então, estudava e passava o tempo escolar. Mas estava de férias e os cabelos demasiado compridos, não eram bem aceites na comunidade, nem bem vistos pelos meus saudosos avós. E fui à casa do Senhor António. Educado, arrastando a muleta pelo chão de madeira, por baixo do qual dormiam os galináceos, que ele dizia serem para a canjinha do pimpolho, chegou um tosco banquinho de madeira para junto da única janela, o único canto da casa que permitia alguma luz do dia. E, depois de meter mãos à obra, à minha jovem e forte grenha ruça, que já levara a minha avó a chamar-me de alemão - desconhecendo, até hoje, se ela, alguma vez vira algum -, com voz pausada, discorrendo ao agitar das tesousas, lá foi o homem, num misto de doloroso queixume e de relato de factos, asseverando-me que a vida das pessoas podia e devia ser outra, que havia tido alguma esperança na candidatura de Humberto Delgado, uns anos antes. Que, até, os meus pais poderiam ter evitado ir para África, se houvesse desenvolvimento, se o país se industrializasse e, já quase no final do trabalho, que lhe não era fácil pela deficiência física, incentivou-me a estudar. Tudo, pausadamente, sem mudanças de humor ou ameaças revolucionárias, muito menos, alusão a qualquer organização política.Tive, após sair da casa do António, a convicção de que, por detrás de toda aquela humildade e, há que reconhecê-lo, muita carência material, estava um homem cujo espírito as circunstâncias da vida haviam, de algum modo, cultivado e aberto horizontes de pensamento.Não poucas vezes, a partir daquele corte de cabelo, sempre que o António Barbeiro era invectivado e acusado de "comunista", por uns, ou "revolucionário" por outros, havendo mesmo quem entendesse que o homem devia ser banido da aldeia, quase chegava a vias de facto, com os seus mais mordazes delatores. E, não servia de grande coisa, o esforço que fazia ao tentar explicar que ele apenas dizia o que lhe ia na alma e achava por bem para si e para os demais e que não fazia parte de organização nenhuma. Que bem bastava o seu infortúnio, por ser deficiente.O meu afastamento, mais tarde, por longos espaços da aldeia, nem em vida ou depois de se finar, nunca me permitiu saber se o António Barbeiro tinha alguma filiação partidária, também nunca o questionei e só o evoquei como "motor de arranque" para a viagem, essa, sim, mais actual que ora vou empreender e que acabo de rodar no meu mural do Facebook.Nos tempos da "Outra Senhora", todo aquele que ousasse ter opinião isenta, pugnasse pela Verdade e criticasse algum aspecto da situação política então vivida, era, de imediato, apodado de um de dois cognomes: na boca dos "amigos" era um "revolucionário"; na boca dos "desconhecidos", não passava dum "perigoso comunista".Mas, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.Hoje, todo aquele que ousar, socorrer-se do seu Pensamento livre, procurando opinar com isenção, criticando situações criadas pela auto proclamada Esquerda, tem um de dois mimos garantidos: na boca de desconhecidos, é um "fascista"; na boca de "amigos", não passa dum "laranjinha"......Sempre ouvi que os extremos se tocam. Como já diziam os cartazes que o Cherne Barroso e seus amigos colavam pelas paredes "nem fascismo, nem social-fascismo".Hoje, sou levado a crer, e a surpreender-me, de como tão iguais são, os, então, adoradores da "outra Senhora" e os apóstolos vermelhos da Esquerda saída da toca, e na Ribalta, graças ao 25 de Abril.Por mim, como já cantou o António Gedeão, não gosto que me cortem a raiz do pensamento, me tentem modelar a opinião, ou que tentem impingir que só um sector ideológico é dono da Verdade e da Razão. Não gosto que me "controlem" e já estou velho de mais para ser doutrinado. Prefiro passar para o lado etéreo convencido de que me esforcei por ser, intelectualmente, justo, do que carregar na mente o estilete de vender a alma por um punhado de ideias feitas, mesmo que seja a moda do momento e recolha os aplausos pelo "politicamente correcto"!...Mais, ainda: quem não gostar do estilo, do corte, dos fatos com que tento preencher a minha montra, que nem se dê ao trabalho de procurar o preço. Simplesmente, não compre. E, já agora, se vá embora sem partir a montra!Descansa em Paz, amigo António!
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