Desta cidade, capital de Moçambique, escreveram, hoje, na Revista Tabu (Semanário Sol), os repórteres Filipa Germano e Telmo Lagoia que a visitaram recentemente:
" Maputo é uma cidade maravilhosa. Assim sente quem atravessou África e pode comparar esta capital com Cartum, com Adis-Abeba, Nairobi, Da-es-Salam, Joanesburgo ou tantas outras. E não falo de conquistas económicas, de saneamento ou de índices de desenvolvimento industrial e tecnológico. Falo de pessoas, de povos e do convívio cordial que se estabele entre eles. Falo de uma cidade que goza o mar e a relação privilegiada que tem com ele, enchendo de cor, vida e amor uma belíssima marginal. Falo de uma cidade cheia de cafés e de esplanadas onde se misturam todas as cores. Em que negros, brancos e indianos partilham as mesmas conversas. Onde há ardinas e vendedores ambulantes de DVD, de música, de mangas e papaias e de lichas, de jeans e de computadores........................... ..... Falo ainda de uma cidade de mesquitas, de igrejas e templos hindus erigidos lado a lado. Falo de civilização, não de economia....................."
O Ti Zé, um pastor beirão, era conhecido naquela aldeia como sendo o mais bem sucedido pastor da região serrana. Vivia numa casa de granito, junto ao caminho de terra batida que vai do casario até ao adro da velha igreja. Uma moradia típica, ladeada de frondosas latadas, com paredes cobertas de musgo fino, sendo o piso inferior destinado à guarda das suas ovelhas. Saía de casa pela manhã, assim que o sol espreitava na orla do monte, levando o cajado numa mão e a sacola do almoço na outra, guiando os animais pelo vale, até ao local da pastorícia. Era a meio da tarde que recolhia os animais no amplo curral térreo. E o caricato ia-se sucedendo num ritual diário: uma das suas ovelhas, velha lãzuda e teimosa, enquanto as demais entravam, submissas e alinhadas, aquela recuava, saltitando pelo quintal fronteiro. A cena repetia-se todos os santos dias da semana. De Segunda a Domingo, sem falhas ou variantes. O Ti Zé descia sempre os degraus até ao piso térreo para dar guarida, junto às outras, à tal ovelha desavinda. Até uma tarde de Domingo! O nosso pastor acabava de recolher o seu rebanho, à excepção da ovelha rebelde. Havia já subido ao piso superior e assomado à janela para observar os grupos de crentes que iam a caminho da missa vespertina. Todos olhavam, e riam, enquanto aquela continuava nos seus balidos de protesto junto à porta do curral. E foram ocasionais testemunhas da revolta do Ti Zé, que, berrando em tom irado e sonoro, cortou de vez a teimosa mania do animal: - À PORTA RINCHAS, MAS AO CURRAL NÃO TORNAS!!!...
Ocorre-me interrogar se, num destes dias, em que outro pastor reúne o seu rebanho, alguma ovelha rebelde ficará a rinchar à porta do curral. Creio que não, são ovelhas submissas e cegamente obedientes ao grande Pastor! E todas irão balir a uma só voz: - Mé! Mé!
São estes os títulos e subtítulos dum tema com duas páginas em que o C. M. de hoje "esmiuça" um pouco mais da máquina de propaganda que todos nós, cantando e rindo, vamos custeando. Que os apaniguados da rosa tenham todo o direito de se exprimirem, opinarem, aplaudirem por todos os espaços mediáticos, sem quaisquer reservas, está fora de qualquer discussão. Estamos em democracia, que é de todos e para todos! O que já não aceito, condeno e repudio é que funcionários do Estado, pagos por todos os contribuintes, vistam as roupagens de assessores, chefes de gabinetes ou outra qualquer vestimenta , ao invés de exercerem as suas funções públicas, percam o seu tempo de trabalho e invistam as suas energias e criatividade a "vender" a imagem das chefias. Ainda assim, não vislumbro da oportunidade da notícia, se tivermos em linha de conta que qualquer internauta, mesmo o pouco atento, de há muito se terá apercebido de muitas das situações hoje dadas à estampa por aquele matutino. Por mero exemplo, estes "desabafos" que repesquei do meu Vouguinha original:
E inevitável: por mais segurança que tenhamos, por mais carrapatos que os sentinelas eliminem, há sempre toupeiras mais tecnicamente evoluídas (e..., talvez, bem pagas) que invadem o nosso território virtual.
Resistindo a uma adequada fumigação , melhor que o exterminador implacável foi uma formatação para cortar a garra ao mamífero do subsolo.
Deu, e ainda está a dar, algum trabalho, mas carrapatos e toupeiras regressaram para o local de onde nunca deviam ter saído: a lixeira da net!
"Máquina eleitoral e uma máquina de poder, que deixou de ter vida própria e autónoma"
São as palavras de Manuel Alegre, ao classificar o partido político de que é militante.
"Máquina eleitoral" e "máquina de poder" duas condições que, na acção, podem trazer alguma credibilidade ao que se vai dizendo de boca em boca e em desabafos nos blogues que pululam na net, de que o PS, para além dos apaniguados de sempre e outros oportunistas e militantes convictos, tem avençados, por si ou por interpostas agências, comentaristas profissionais, controlados por assessores de comunicação, que desenvolvem um autêntico trabalho de toupeiras da Informação.
Diz-se que essas toupeiras, para lá de outros serviços junto dos órgãos de comunicação social, têm por missão trabalhos de sapa no espaço virtual, onde serão olheiros atentos e interventores residentes, procurando, sistematicamente, desmontar peças de opinião que sejam perversas ao governo ou incómodas para as forças do Largo do Rato.
Não tenho meios para comprovar a existência de tais toupeiras mercenárias, mas a existirem, esse fenómeno de comentadores profissionais que, sem ideologia própria ou militante, se colocam ao serviço de "marketing" partidários, evocou-me o que se passava nos já longínquos anos do PREC.
Esses, sim, episódios que comprovei e vivi.
Decorria o atribulado ano de 1975. Os partidos políticos despontavam como cogumelos, as paredes, os prédios de Lisboa, iam ficando atapetados de slogans e mensagens políticas, de tal forma que nem as paredes interiores da Assembleia Constituinte escapava ao furor da propaganda partidária.
Numa tarde primaveril, ali ao Largo do Calvário, no edifício da Promotora, um grupo de quatro jovens, armados de balde e braçadas de papéis, colavam cartazes, na falta de mais espaço livre, por cima dos já existentes.
Curioso, por não haver deslindado, ao primeiro olhar, qual o novo partido em promoção nos lençóis publicitários que os rapazes iam abrindo, interroguei-os acerca do projecto social defendido para o país por aquela força política.
A resposta veio célere e em uníssono:
- Sabemos lá nós! O que nos interessa é que eles nos paguem no fim do trabalho!
Tal como as bruxas, nunca vi toupeiras, mas que as há, há!
Inaugurado em Junho de 2003, Oeiras dedicou um dos parques da cidade aos nossos poetas. Justa homenagem aos vultos das nossas Letras que, com a sua criatividade literária, dotados de engenho e sensibilidade, nos transportam para lá das fronteiras da realidade, até aos domínios da beleza do sonho e da fantasia. Com as fotos do JT, em http://viajandoevendo.blogspot.com, fica o registo duma singela homenagem do Vouguinha2 a todos os que, pelas artes do pensamento, rendilhando os vocábulos da nossa Língua doce, se vão "da Lei da Morte libertando...". Aos que já estão no Parque, aos que que virão e aos que lá não tenham espaço de memória.
Já lá vão mais de dois anos, quando, no Vouguinha original, dei notícia de ter sido avistadoum polvo gigante na nossa costa. Será que o Sol o conseguiu agarrar de todo, ou só lhe arrancou um dos tentáculos?
Alguém, com notório estatuto na nossa Praça, veio dizer-nos que um Polvo gigante anda a agitar os tentáculos pela nossa costa. Nada que qualquer pescador avisado se não haja já apercebido. A questão, agora, é saber quem, com que coragem, de mãos limpas, ousaráretalhar o Polvo e dar-lhe o arroz! Antes que os seus tentáculos nos asfixiem e, em delírio, nos levem até à Itália de alguns anos passados....
A memória histórica de Portugal atesta, de forma inquestionável, o espírito solidário de alguma união e muita generosidade sempre que, por alguma forma, acontecimentos nefastos façam perigar o país, enquanto nação secular.
Tem sido assim, desde a fundação da nacionalidade até aos nossos dias, por exemplo e com expressão marcante quando, em 1385, foi o Povo o baluarte da causa do Mestre de Avis, quando este encabeçou o movimento por um Portugal independente das ambições castelhanas. Voltou a sê-lo quando, em 1640, o povo de Vila Viçosa foi a mola para que toda a Nação convencesse o futuro Rei D. João IV a assumir a Revolução que nos havia de libertar das décadas de jugo espanhol.
Solidariedade vincada, de forma veemente, já nos nossos dias, nas expressivas manifestações e cordões humanos de 1999, em apoio ao massacrado povo de Timor.
Como tem sido sempre, não esqueçamos, na mobilização desinteressada e generosa na mobilização para campanhas de apoio às O.N.G. de âmbito social.
Continuaria a sê-lo, nestas horas de incerteza e aperto económico, com o Estado a braços com uma Crise que nos chegou do exterior e que agravou a doméstica com mais de uma década, se os destinos deste País fossem geridos por alguém que fosse exemplo, sem desmandos e erráticas medidas,e merecesse a confiança plena desse Povo a quem nos últimos anos vêm sendo exigidos, cada vez mais, sacrifícios.
Não vou, nesta reflexão, embandeirar o arco dos que tomam a parte pelo todo e acusam o partido no poder de todas as maleitas da nossa Sociedade actual. Pressinto mesmo que, bem no íntimo, a maioria dos militantes, simpatizantes ou simples votantes do partido da rosa, vivem, hoje, um conflito de consciência, quiçá, de disfarçada vergonha, pelo comportamento dum secretário-geral em que se não revêem.
Reconheço mesmo que o Partido Socialista tem Gente com ideais sérios e justos, alguns com uma visão romântica da Sociedade e que sonham com caminhos de justiça e respeito pelos valores que honrem a Pátria.
O mal deste País, a mancha negra da desconfiança e do desrespeito pelos valores que o Povo defende, parece residir numa só individualidade que não sabe, não pode ou não quer, encarnar esses desígnios.
Não posso asseverar, por também não querer expressar análises de carácter, que Sócrates é o “Aldrabão de feira”, como disse Pires de Lima, ou o que “Mente compulsivamente”ou que “é ingénuo ou extremamente sinistro” ou, ainda, “destituído de compleição de estadista” de que o acusa o jornalista e escritor Baptista Bastos.
Do que não duvido é que será ele o maior empecilho a que os portugueses dêem mais uma vez as mãos, se unam e sacrifiquem sem mágoa para que o País não se afunde mais no pântano desta Crise.
Sem plena confiança no Poder, faltará a tal mola que despolete o espírito solidário que apele ao sacrifício e ao empenhamento sério de cada um de nós.
Não se empenharão os empresários, não se empenharão, nem calarão,os trabalhadores privados e os funcionários públicos, muito menos a legião de desempregados; não se ganhará esta luta contra esta Crise pirata com a caravela duma Sociedade Civil que não acredita no carácter do seu actual timoneiro.
Urge resolver este problema nacional. Que poderá ser ultrapassado no seio do próprio partido que governa - e tem todo o direito de o fazer pela força do voto: outra Gente que preze a Verdade e a Transparência.
As notícias dão-nos conta de que Madrid desconhece a maioria dos membros da nova ETA e a própria polícia espanhola o seu modus operandi, detida ou desmembrada que está a velha guarda desta organização. Não faltam entre nós comentadores e outros especialistas em Segurança, a deixarem-nos os seus palpites técnicos a propósito da actuação dos etarras e das suas hipotéticas bases de apoio por cá implantadas. Estranho, ou talvez não, é nenhum desses "experts" terem ponderado a associação destes grupos, etarras ou não, aos assaltos violentos, com recursos a explosivos, às carrinhas transportes de valores ocorridas em Portugal.
Relembremos:
- Em 2007 e 2008, notícias relatavam movimentações de elementos da ETA junto à fronteira alentejana e algarvia, referindo mesmo a utilização de um carro português num atentado em Espanha, bem como viaturas alugadas no Algarve e a estadia dum alto quadro daquela organização em Portugal e que teria sido encontrado na posse dum mapa de Lisboa; - Em 20/8/2009, pelas 02H30, ocorreu o assalto a uma viatura de transporte de valores da Prossegur, na região alentejana de Aljustrel, em que foram utilizados explosivos; - Em 18/12/2009 novo assalto, em moldes semelhantes ao perpetrado no Sul do País, de novo com recurso a explosivos, a uma viatura de transporte de valores da Esegur, desta feita na Região de Coimbra; - Em 10 de Janeiro, a GNR deteve dois alegados etarras em Torre de Moncorvo e que estariam em fuga à polícia espanhola, junto de quem terão abandonado uma carrinha com detonadores; - Em 4 de Fevereiro, é descoberta a vivenda de Óbidos, onde presumíveis membros da ETA guardavam explosivos e matérias primas utilizadas no seu fabrico, e que terá sido abandonada à pressa pelos seus ocupantes, onde, entre outras coisas, teriam deixado um mapa da região de Coimbra.
Sabemos que, historicamente, as organizações ditas terroristas, seja qual for a causa que as move, para além dos actos conducentes à concretização dos objectivos da sua luta, levam a efeito acções de recolha de fundos para se auto sustentarem. As zonas onde foram detectadas movimentações de membros daqueles grupos, conforme descrevi, não são distantes daquelas onde ocorreram os assaltos às carrinhas de valores. Por outro lado, que se saiba publicamente, ainda não é conhecida a autoria de tais assaltos, em que os entendidos reconheceram alto profissionalismo. Tudo isto me leva a estranhar, e repito-me, que nenhum dos habituais "expert" de Segurança, tão lestos nas suas análises televisivas, tenha colocado a hipótese da ligação daqueles grupos do Sul e de Óbidos (etarras ou não...) aos referidos assaltos. Digo eu....que não tenho serôdias pretensões a Sherlock Holmes...
... começou a ser levantada. E já está visível alguma da sujidade . Imagino a lixeira que deixará de estar oculta, assim que o lençol esteja todo levantado!
É no semanário "SOL", que, hoje, vem estampado, entre outros, um extracto do despacho do Juiz de Aveiro: Distorcendo um dito popular, arrisco: pelo lixo que já se encontrou na primeira carruagem, já podemos imaginar a trampa transportada por todo este comboio oculto!
Já não sei se tanta vitimização, ameaças, ou chantagens, valem o ouro da estabilidade. Chega! Que se atirem. Mais do que pesadelo, poderá ser um alívio!.... Mesmo deixando-nos o pântano a que nos habituaram...
.. não os regimes servidos na hora. E, celebrar o quê? - A República que teve como prelúdio o Regicídio de 1908, pelas mãos da Maçonaria e que sobreviveu, a partir de Lisboa e Porto, à custa do terror que a Carbonária impôs a todo um Povo? - A Primeira República que, em 15 anos e 8 meses, num ambiente de total desordem, perseguições políticas e religiosas, crimes e radicalismos extremos, teve 8 Presidentes e 45 Governos?! - A Segunda República, a do Estado Novo, a quem os tresloucados desmandos da primeira deram alforria e força e que, alicerçada no autoritarismo, entorpeceu um Povo durante 48 anos? - A Terceira República, iniciada com os cravos de 1974 e que deu os primeiros passos de forma grotesca a reeditar todos os vícios e pulverização partidária da Primeira e que só não redundou na bagunça política e social daquela, mercê da mãozinha caridosa duma Europa que a foi suportando com injecção de milhões, reprimendas, avisos e algum paternalismo? - Esta República em que os Presidentes emanam dos partidos e, por mais probos que sejam, se não libertam das amarras ideológicas e tendenciosas que a eles os prendem, ao invés de se desmarcarem claramente e estarem muito acima, como símbolo e unidade de toda a Nação? - Esta República actual, em que se fala muito de ética republicana, ao mesmo tempo que temos a percepção de que não há ética alguma, num quadro duma democracia onde se vincam os traços da primeira, como o gamanço, a corrupção, o crime, a ausência de valores, a iniquidade das leis e a debilidade da Justiça e onde se levantam as bandeiras negras do endividamento externo, desemprego galopante, da miséria anunciada e da instabilidade social?
Decididamente, celebrar o quê? Por mim, da República mais não tenho a celebrar que os símbolos da Pátria, o Hino e a Bandeira, que, de sua autoria, tendo sido apropriados por todo um Povo, estão acima de qualquer regime, e representam uma Pátria que foi forjada nos feitos e sacrifícios nos séculos que antecederam a República. E essa, sim, será sempre celebrada e me confere o direito de ter orgulho em ser português!
Acusações de Costa Pimenta, um Juiz de Direito que, segundo o CM, vive uma guerra jurídica com as hierarquias da Justiça, abriu o livro e disse:
"O Supremo Tribunal de Justiça é uma loja maçónica, criada e instalada por maçons";
" A verdade é que as lojas maçónicas, incluindo o Supremo Tribunal Administrativo e a Relação de Lisboa, deixaram-se infiltrar pelo jesuitismo e profanos do avental, que constituíram uma máfia que opera nos tribunais portugueses".
...prevendo-se que às festividades, em que já se lançou farto foguetório, se associem as entregas dos globos de ouro e dos diplomas do Guiness, relativos aos últimos 5 anos, e a que tem direito pela maior taxa de desemprego de todos os tempos; pelo maior déficit da era pós 25A, e pelas maiores manifestações de professores e de enfermeiros de que há memória. Por não serem mensuráveis, não se prevê que no decorrer das comemorações sejam entregues os globos das mentiras, da hipocrisia e da incompetência políticas.
Enquanto o homem dos cornichos, ao que parece, e por enquanto, se vai contentando com uns "janterecos" de homenagem e placa em avenida, não enferrujarem as peças substituídas no motor da máquina socialista. Muitas das pétalas da rosa já viram premiada a sua submissa dedicação ao perfume do Rato, por mais que haja murchado a sua prestação no executivo. Desdea controversa ex-ministra da Educação, nomeada pelo actual governo para o cargo de Presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, até ao fiel ex-secretário de estado adjunto do primeiro ministro, Filipe Baptista, nomeado pelo executivo para o Conselho de Administração da ANACOM, são muitos os membros do governo de má memória que se vão desfilando na passadeira rosa que lhes é estendida para que continue a brilhar a sua estrela, nesta constelação de interesses e obscuros prémios. O que, sendo já hábito antigo e prato habitual da culinária do Poder, até não surpreenderá, nem será forte motivo de indigestão nacional, tão adestrados já estão os estômagos dos portugueses à fruta bichada! Já não entendo, estranho e repudio, e considero ser desconchavo governamental, com indelével marca de prémio partidário, - o que é, na prática, um insulto aos cidadãos votantes - é que figuras rejeitadas nas urnas, em voto livre, numa democracia que tem na génese do nome a vontade do povo, serem guindadas (algumas, nas regiões onde lhes não foi, por aquele meio, reconhecido mérito) aos cargos de Governadores Civis. Foi assim com José Mota, que, derrotado nas autárquicas, é Governador Civil de Aveiro; com António Galamba e com Isilda Gomes, que, não sendo tendo sido eleitos deputados, são Governadores Civis de Lisboa e Faro; com Sónia Sanfona, que, rejeitada pelos escalabitanos nas autárquicas, é a Governadora Civil de Santarém; com Marcos Perestrello que, perdendo as autárquicas em Oeiras, é secretário de Estado da Defesa e foi assim com o candidato que apostou tudo para destronar Fernando Ruas da Câmara de Viseu e, não tendo conseguido o seu propósito, se viu premiado com o cargo de Governador Civil das terras de Viriato! Valha a verdade que, como sempre opinei, o cargo de governador civil não passa de um lustroso e inútil penacho, sem funções que se afigurem suficientemente proveitosas para as populações locais. Um penacho dispendioso que não deixa de engrossar o leque de instituições públicas (muitos institutos, fundações....) de pouca ou nenhuma utilidade, que não seja o nefasto contributo para o agravamento das contas dum Estado na penúria. Ainda assim, cabe voltar a questionar onde está o mérito de figuras a quem o povo não conferiu confiança e são, sem que a sua vontade o expresse, guindadas a altos cargos do Estado com as gruas das máquinas partidárias, de que não passam, na opinião de muitos, de meros comissários políticos. É penacho. Mas, até para o penacho tem que haver algum mérito!
Manhã sombria, com um tecto plúmbeo e baixo de nuvens ameaçando borrasca. Um engenheiro e um doutor encontram-se frente a um jardim público onde pontuam alguns pinheiros, dos mansos. Um deles, de frágeis raízes desde a nascença e vergado pela tempestade continental dos últimos anos, desperta-lhes alguma curiosidade. - Já viu, engenheiro, a perigosa inclinação daquela árvore? - Nada de mais, doutor. Vai-se aguentar e robustecer a breve trecho.... - Mas como é possível? O senhor engenheiro não está a medir o ângulo da inclinação? O pinheiro está em plano inclinado e vai cair se não for rapidamente escorado!... - Qual quê, doutor, não seja negativista! O senhor não percebe nada disto. Vê tudo a ruir, é um pessimista militante! - O senhor engenheiro está a olhar para a mesma árvore que eu....aquela que está à nossa frente?! - Claro que estou! Vendo bem, e pensando melhor, o pinheiro nem tão pouco está em plano inclinado. Se o virmos de cócoras, até parece bem firme e hirto!.... O doutor é um catastrofista!!!
Foi já no crepúsculo da última época estival, que o Vouguinha2 fez eco das muitas manifestações de insegurança no Algarve. Com seus altos e baixos, a verdade é que a indústria turística é aposta forte daquela Região e do País e as nefastas acções criminosas poderiam pôr, como puseram, em causa o futuro quer das estâncias balneares quer dos fluxos turísticos, internos e externos, que lhes estão agregados. Congratule-mo-nos: tarde, mas o Ministro que tutela a Segurança Interna, parece ter tido a mesma percepção, despertado, e veio a terreno. Prometeu, ontem, medidas a curto prazo, deixou aos algarvios e estrangeiros residentes juras de empenhamento interessado na erradicação dos fenómenos de violência que se vinham sucedendo. Esperemos, mais na esperança do que na certeza, algo mais, para lá das promessas e das boas intenções, pois não sendo discursos ou paliativas intenções a resolverem o problema, dele se aguarda reforço de meios, humanos e materiais, e, que o não descure, dele e dos seus pares, a alteração urgente, mas bem reflectida e estruturada, do Código de Processo Penal que, em parte, e em má hora, ajudou a dar à luz, com alterações à medida de estranhos interesses! O que o Algarve, e todo o país, não pode é continuar a ser terreno fértil para os desmandos de grupos de estrangeiros que fazem do crime o principal modo de vida e que colocam em causa a vida e os bens de outros estrangeiros que aqui procuram paz e segurança. A mesma segurança a que todos os nacionais têm direito. Até lá, continua válido o alerta inserto no texto que puxo acima:
Mais do que estatísticas consoladoras, deve um Estado, responsável e atento, ponderar as evidências e valorizar a realidade. A segurança dos cidadãos é um factor decisivo para que estes possam usufruir da Liberdade, uma das bandeiras da democracia. E se é trunfo fundamental no baralho interno, mais o será quando a criminalidade galopante faz periclitar toda a nossa cartada turística, uma das nossas mais valias económicas. Com uma indústria exportadora a braços com crises cíclicas e de fraca expansão, uma agricultura, de há muito, moribunda e a que Jaime Silva terá dado extrema-unção, é o turismo que nos resta preservar a todo o custo, para que o país não continue a empobrecer....alegremente. Para esse desiderato, para além do sol, das paisagens , do mar e praias convidativas, que temos para oferecer em abundância a quem nos visita, urge certificar um diploma de tranquilidade e segurança para quem procura refúgios de lazer e de paz. Não incumbe, em exclusivo, aos operadores do ramo oferecerem um produto turístico de qualidade. Ao Estado cabe uma quota parte fundamental, sobretudo na erradicação da violência e das práticas criminosas que o desvalorizem. De todo, dispensáveis seriam cartões de visita como os que ora nos chegam de Inglaterra, um país que nos visita com cerca de 2,2 milhões de turistas por ano e que alertam os seus concidadãos para: "vários cidadãos britânicos foram vítimas de ofensas sexuais sérias no Algarve neste Verão: esteja alerta para o uso de drogas sexuais..."; "Os carteiristas, os roubos por esticão e os furtos de viaturas são cada vez mais comuns nas zonas turísticas". Gostando-se ou não da peculiar sobranceria dos ingleses, há que reflectir nas palavras do Presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, que considera as reclamações vindas de terras de Sua Majestade um sério aviso: "É mau para o Algarve e para o País e mostra que as autoridades têm andado a brincar com o fogo"; "Continuam a manipular os números dos reforços de Verão e a ignorar o aumento da criminalidade, principalmente o aumento da criminalidade violenta."; "Ainda estamos no início mas é um aviso sério e o mercado britânico é o nosso maior mercado". Os avisos estão feitos. Falta levá-los em boa conta por quem tem por mister inverter esta perigosa realidade que, mais do que panaceias circunstanciais ou aumento de agentes, deve passar por uma séria e urgente reavaliação das nossas falaciosas leis penais em vigor que são, por si só e em primeiro plano, o nosso grave problema de segurança!
Falam por si os muitos vídeos que alguém se lembrou de plantar no YouTube, a propósito das escutas no âmbito do Apito Dourado e Apito Final. Sem comentários. Seriam supérfluos...
Bem mais interessantes seriam os da Face. Mas, esses, estão Ocultos....como convém.
A notícia: Chefe de gang que se dedicava a roubos das caixas do multibanco cortou a pulseira que garantia a sua prisão domiciliária. Beneficiando dessa sanção mais leve graças ao parecer do Instituto de Reinserção Social, cortou a pulseira e, depois de deixar uma carta de despedida à Justiça, "deu às Vila-Diogo" e foi gozar os seus diversos bens patrimoniais e investimentos, bem como os milhares que tem a salvo numa sociedade OFFSHORE sediada em Tânger!
O Comentário: E pensava eu, empedernido ingénuo, que só um determinado tipo de ladrões engravatados tinham o dinheiro das roubalheiras em offshore! Fiquei a saber que, tal como o Sol, o Offshore quando nasce é para todos!
A minha vizinha é daquelas pessoas que passam o tempo a lamentar-se com os preços elevados, do peixe, da carne, de tudo. Há dias, vinha do mercado vociferando: - À sardinha e ao peixe miúdo ainda se vai chegando. Nas garoupas é que ninguém consegue tocar!
Ontem, no noticiário televisivo das 15HOO, a jornalista de serviço na RTPN, a propósito do ataque perpetrado pela FLEC a uma coluna onde seguia a Selecção de Futebol do Togo, escoltada por militares angolanos, denominou este grupo independentista como "movimento terrorista". Não vou tentar, nesta nota, saber da legitimidade histórica dos desígnios da FLEC, nem, tão pouco, lhe outorgo neste escrito o direito de ceifar a vida seja de quem for. Considerando apenas os factos, aquela gente atacou uma coluna escoltada por militares, e todos sabemos que os movimentos ora no poder nas ex-colónias portuguesas o fizeram indiscriminadamente contra civis desarmados, muitas das vezes, de forma cruel e com contornos de sadismo. Hoje, cairia o Carmo, a Trindade, S. Bento...e os Clérigos, se algum jornalista tivesse a veleidade de apelidar de ex-terroristas estes últimos "movimentos de libertação". O que me leva a pensar tudo é mesmo feito de mudanças, ao sabor dos tempos e das conveniências. Como se um caracol deixasse de o ser a partir do momento que "vira" petisco....